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160 anos de O Livro dos Espíritos

April 18, 2017 0:33 , by Redação CDC - 55 comments | No one following this article yet.
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Arte 160 leHá exatos 160 anos, no dia 18 de abril de 1857, aconteceu o que para nós espíritas significa o marco de um novo paradigma para ciência, filosofia, religião e arte: fora publicado nesta data, pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail a obra "O Livro dos Espíritos".

Com autoria sob o pseudônimo de Allan Kardec, Rivail trouxe a público a primeira edição d'O Livro dos Espíritos no Palácio Real, em Paris, em formato de perguntas e respostas, à época com 501 questões. A obra - hoje com 1018 questões - foi fruto de um trabalho árduo, por cerca de 20 meses, em que Kardec coordenou longas reuniões com médiuns, destacando-se nesta seara as jovens Caroline e Julie Boudin (na época com 16 e 14 anos, respectivamente), Celine Japhet (18 anos) e Ermmance Defaux (14 anos).

Naquele tempo, o ocidente inaugurava a Modernidade, com um turbilhão de transformações sociais trazidas pela Revolução Industrial, Revolução Francesa. Na ciência, consolidava-se protagonismo da razão disseminado pelas ideias iluministas. Na política, a libertação dos Estados do domínio da Igreja Católica. Na comunicação, o surgimento da prensa de Gutemberg permitiu a ampliação de acesso a leitura. O caldeirão cultural iniciado pelo anterior séculos das luzes foi propício até mesmo para elevar uma mera "futilidade de salão", colocando-a no seu verdadeiro propósito, arquitetado por uma miríade de espíritos que planejaram trazer a terceira revelação divina à Terra.

Antes da observação e análise séria e sistematizada liderada pelo professor francês, os fenômenos mediúnicos eram a mais recente febre de entretenimento nos salões da alta sociedade em toda a Europa. Na capital das Luzes - Paris - as "Mesas girantes" eram o motivo de reunião de senhoras curiosas e homens descrentes, a escritores conceituados como Victor Hugo e Arthur Conan Doyle, e cientistas como William Crookes e Camille Flamarion. Dentre todos estes, o pedagogo Hippolyte Rivail - nosso Kardec - houvera sido convidado pelo seu amigo Fortier, estudioso do magnetismo.

 De início, Kardec não aceitou "perder tempo" com a frivolidade, mas o alvoroço em torno do fenômeno foi tão grande que aceitou participar de uma das sessões, desconfiando - entretanto - que se tratava de mera ocorrência magnética, sem uma inteligência causadora. Mais tarde sua curiosidade científica levou-o a debruçar-se sobre as causas das mesas estarem "dando respostas", no que constituiu o pontapé inicial para o estudo e posterior codificação da Doutrina Espírita.

O livro codificado por Kardec se divide em quatro partes:

1ª parte - Das causas primárias: introduzindo-nos o conceito da Doutrina Espírita sobre Deus, Criação e os elementos fundamentais do Universo: espírito e matéria;

2ª parte - Do mundo dos Espíritos: analisando pormenorizadamente o que é o Espírito, sua origem, natureza e destino; a finalidade de sua existência, seu potencial de autoaperfeiçoamento e as relações que mantém com o mundo material;

3ª parte - Das leis morais: que inicia o estudo das Leis Divinas, entendidas como as regras gerais de ordenação do universo, tanto do ponto de vista da matéria, quanto da moral e progresso da humanidade. Tais Leis foram divididas didaticamente em dez: Lei de Adoração, Lei de  Trabalho, Lei de Reprodução, Lei de  Conservação, Lei de Destruição, Lei de Sociedade, Lei de Progresso, Lei de Igualdade, Lei de Liberdade e Lei de Justiça, Amor e Caridade.

4ª parte - Das esperanças e consolações: traz um panorama da perspectiva futura dos Espíritos, das recompensas ou penas a que faz jus a partir da experiência mais ou menos em conformidade com as Leis Divinas.

Nesta data, espíritas ou não somos convidados à reflexão: qual o legado histórico, científico e moral que nos traz O Livro dos Espíritos? Convidamos alguns autores a responder esta questão.

Do ponto de vista científico, "Kardec foi um dos pioneiros a propor uma investigação científica, racional e baseada em fatos observáveis, das experiências espirituais. Desenvolveu todo um programa de investigação dessas experiências, ao qual deu o nome de Espiritismo". (Moreira-Almeida in Cordeiro, 2014).

No campo da moral e acerca da repercussão histórica, Herculano Pires, um dos principais tradutores da obra, nos traz quais inovações no pensamento da humanidade, iniciadas naquele 18 de abril por Kardec. A primeira delas seria a representação da realidade espiritual, "servindo de fundamento a todas as religiões de todos os tempos". A segunda foi a certeza de ser o Espiritismo a revelação da Verdade prometida pelo Cristo, positivada em texto trazido pelo Espírito de Verdade e confirmada pela coerência dos postulados doutrinários com a razão e forte senso moral.

Todavia, sem dúvida, além das coroações históricas e dos diversos campos do saber humano, não podemos esquecer da contribuição que esta e as outras obras da Codificação de Kardec trazem para a evolução espiritual do ser, para os Espíritos que trilharam e continuam a experienciar sua jornada ascensional no planeta, ao longo de diversas existências. Tomando as lições contidas nesta obra para si, cada pessoa será capaz de traçar meta e caminho para o seu desenvolvimento pessoal, em harmonia com as Leis Divinas, rumo ao destino inescapável que é a perfeição absoluta, na qualidade de Espíritos Puros. E, assim, cada um realizando em si a revolução de Amor proposta pelo Cristo e assinalada nas leis que regem o universo, poderemos todos, cada um a seu tempo porém de mãos dadas, fazer evoluir o nosso planeta como um todo.

 

"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade"

Allan Kardec

 

Fontes:

  • CORDEIRO, Tiago. Allan Kardec e o espiritismo, uma religião bem brasileira. Revista Guia do Estudante. Disponível em <http://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/allan-kardec-e-o-espiritismo-uma-religiao-bem-brasileira/>. Acesso em 18/04/2017.
  • FONSECA, Artur. Os Bastidores do Livro dos Espíritos. Revista Super Interessante, 30 jun 2008, Atualizado em 24 fev 2017. Disponível em <http://super.abril.com.br/historia/os-bastidores-do-livro-dos-espiritos/>. Acesso em 18/04/2017.
  • PIRES, José Herculano. Sobre esta obra: introdução ao Livro dos Espíritos redigida por Herculano Pires para o "O Livro dos Espíritos", por ocasião da edição especial da LAKE, comemorativa do centenário da obra, em 18 de abril de 1957. Disponível em <https://livrodosespiritos.wordpress.com/about/sobre-esta-obra/>. Acesso em 18/04/2017.
  • Wikipédia. Allan Kardec. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Allan_Kardec#cite_note-13> . Acesso em 18/04/2017.
  • Imagem do artigo produzida e elaborada pela Federação Espírita Brasileira (FEB), disponibilizada como material de divulgação comemorativo em <http://www.febnet.org.br/blog/geral/noticias/material-de-divulgacao-dos-160-anos-de-o-livro-dos-espiritos/>. Acesso em 18/04/2017.

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