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Gabriela: uma história de amor e auto perdão. Episódio 3: As mães da Casa do Caminho

May 16, 2021 0:32 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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As mães da Casa do Caminho-PAE decidiram contar as suas histórias ... E todas elas são tocantes! 
Em nossa terceira narrativa, você vai conhecer a história de Gabriela, que nos mostra como o amor pode ajudar a transpor obstáculos e que o perdão, sobretudo consigo mesmo, é libertador. 😍
 

Leia mais:
 
 
A Casa do Caminho-PAE deseja a todos que exercem o papel da maternidade, em cada uma das oportunidades que a vida oferece, sabedoria, serenidade e muito amor no dia de hoje e durante todo o mês de maio.
 
 

AMOR E AUTOPERDÃO

Numa manhã de fevereiro, verão em Salvador a todo vapor, eu cheia de planos para um futuro bem diferente. Estava decidida a me separar. Estava muito magoada, havia descoberto que era traída há muito tempo, desde a gravidez do meu primeiro filho, inclusive com algumas das moças que cuidavam de nossa casa e de nosso filho, enquanto eu estava no trabalho.
Nos meus planos, havia laqueadura de trompas prevista para dali a cinco dias. Era o último exame antes do procedimento cirúrgico, quando o profissional que realizava minha ultrassonografia falou: “parabéns, mamãe”! Achei que ele estivesse falando com a sua auxiliar. 

Ele repetiu: 

- Parabéns, mamãe!, dessa vez olhando pra mim. 

Nesse momento falei, em alto e bom som: “o senhor está brincando doutor”! 

Ele disse sorrindo: 

- Eu não, quem brincou foi a senhora!. 

Nesse momento meu mundo caiu, senti que ia desfalecer, recuperei o fôlego e saí atordoada, aos prantos, como se tivesse recebido a pior notícia do mundo.

Desnorteada, andei até em casa, sem a menor noção do que estava acontecendo. Enquanto caminhava, só conseguia pensar nos meus planos. 

Já tinha um filho de quase 10 anos que, apesar de ter sido fruto de uma gravidez não planejada, era tudo pra mim.  Ele era uma criança adorável, inteligente, amorosa, obediente, um filho maravilhoso, já não me via mais sem ele. Porém, não queria outro, de jeito algum.

Chegando em casa contei ao pai, que ficou como um “pinto no lixo”, espalhando a notícia pelos quatro cantos do mundo. Logo, nossos familiares começaram a ligar, aparecer... todos muito, muito felizes mesmo, com a novidade. Eu era a única infeliz com a história.

Não cogitava sequer a ideia de um aborto, já conhecia um pouquinho da doutrina e tinha medo de infringir as Leis Divinas, pois boa parte da minha infância foi na Mansão do Caminho. Meu pai desencarnou quando eu tinha 4 anos, era a oitava de nove filhos. Minha mãe, desempregada e semianalfabeta, fazia faxinas, costurava, lavava roupas de ganho, inclusive das tias da Mansão, enquanto nós, crianças, passávamos o dia na Mansão, só retornando para casa após a sopa. Fomos amparados por Divaldo Franco, que foi um verdadeiro pai para nós.

Por conta do sofrimento de minha mãe para nos criar, ainda muito criança eu tinha certeza de que não queria ser mãe. Veio a adolescência e os sonhos da idade vieram com desejo enorme de ser mãe.  Era tão forte em mim esse desejo que quase todas as noites tinha pesadelos morrendo de parto. 

A gravidez me assustava muito, mas após algumas semanas fui aceitando, comecei a admitir a possibilidade de refazer meu casamento. O meu marido começou a apresentar algumas mudanças e o meu filho estava tão feliz com a chegada da irmã que me contagiava com tanta alegria! Dava a impressão de que ele estava prestes a ganhar o brinquedo mais sonhado.  Surpreendia-me acariciando minha barriga, conversando com ela, pedindo desculpas por ter ficado triste no início... Estava mesmo muito arrependida e, como que por encanto, já estava amando muito minha filha, louca pra ver seus olhinhos brilharem. 

A aproximação do nascimento me angustiava, deprimia, um sentimento de culpa me invadia, trazendo um medo de desencarnar no parto. A certeza da minha desencarnação foi ficando tão real que comecei a implorar a DEUS, por misericórdia, que me permitisse, ao menos, amamentá-la nos primeiros seis meses.

Finalmente chegou o grande dia, 27 de setembro de 1999, até a hora do parto cesária, eu e ela em saudáveis e bem, posição de nascimento perfeito, até que ouvi a médica falar em tom de gracejo: 

 - Que é isso menina, como é que você faz isso comigo? Por que essa cambalhota na hora de nascer? 

Ao perceber que eu estava atenta, disfarçou. Só depois, na primeira consulta pós-parto, me revelou que o parto foi difícil, pois ela estava toda enrolada no cordão umbilical, além de ter invertido a posição de nascer.

Nos primeiros anos de vida, ela já dava sinais de uma personalidade extremamente forte, era arredia, teimosa, desobediente e já bastante autoritária. 

O mais velho, entrando na adolescência, apesar de tranquilo, fácil de lidar, deixava transparecer uma adolescência muito triste, introspectivo e cabisbaixo o tempo todo. 

O pai, que havia melhorado um pouco, voltou a desaparecer de casa por até uma semana inteira, alegando estar a serviço, pois era um militar. 

Cansada de traições e abandono, saí de casa, levando apenas meus filhos. Sofremos muito, enfrentamos momentos muito difíceis. Tentando suprir a falta do pai, fui prejudicando meus filhos e, sem perceber, fui deixando os dois muito à vontade, sem limites. 

Os problemas começavam a surgir. O mais velho, aos 16 anos, começou a fazer uso de bebida alcoólica. Ela, aos 14 anos, além de usar bebida alcoólica, fumava cigarro e ainda se mutilava. Como se não bastasse, tentou suicídio por 2 vezes! Eu, quase enlouquecida entre o trabalho, casa e os colégios de um e do outro, tentando vigiá-los. Parecia sucumbir, confesso que cheguei a pensar em desistir.

Foi então que, por misericórdia Divina, encontrei a CASA DO CAMINHO-PAE. Nela, os amigos encarnados e desencarnados  nos acolheram tão amorosamente que passamos a sentir um grande alívio das nossas dores. 

Apesar da ajuda, do cuidado, psiquiatras, psicólogos, as dificuldades continuavam, porém já me sentia mais forte, protegida. O sentimento de culpa me consumia bastante. Na verdade, não me perdoava por não ter aceitado a gravidez de imediato, não os ter educado devidamente, ter me separado do pai deles. Eu era o verdadeiro retrato da culpa.

Foi então que, já como ‘caminheira’ da CASA DO CAMINHO-PAE, sendo atendida por uma irmã muito querida, ouvi dela conselhos que me fizeram refletir. Ela ponderava que deveria abandonar as culpas, me perdoar, esquecer onde havia errado e seguir em frente, buscando acertar dali em diante. 

Orientada por ela comecei a ver meus filhos como espíritos em evolução, na mesma caminhada que eu, dessa vez com a responsabilidade de orientar, educar, disciplinar e, acima de tudo, AMAR. O tempo passou e o pai deles veio a desencarnar. Sofremos muito com a saudade, mas passou.

O mais velho conheceu uma moça evangélica, com a qual irá casar-se, pois também se tornou um evangélico, honesto, trabalhador, excelente profissional, digno, muito querido por todos.  Tem todos os atributos para ser uma pessoa do bem, quem sabe um excelente pai de família. 

A caçula, hoje com 20 anos, equilibrada e tranquila, ainda estudando, livre de dependência química, tenta se encontrar profissionalmente. É também uma caminheira da CASA DO CAMINHO-PAE e busca crescer a cada dia. 

Sou muito orgulhosa de meus dois filhos. Podemos afirmar que somos uma família muito harmoniosa e descobrimos que as dificuldades só nos uniram a cada dia.

Entendemos que o AMOR nos fortaleceu, nos sentimos mais próximos e a cada dificuldade, nos apoiamos um no outro. Quando meu filho se tornou evangélico, achei que pudéssemos ter alguma dificuldade de relacionamento, mas, graças a Deus, nos respeitamos e aceitamos as escolhas um do outro. Realizamos evangelho no lar juntos, oramos juntos e buscamos seguir os ensinamentos do mesmo CRISTO.

Aprendemos que a tomada de CONSCIÊNCIA, o AUTOPERDÃO, a FÉ e o verdadeiro AMOR são os melhores instrumentos para enfrentarmos as dificuldades da CAMINHADA.

Finalizo com enorme sentimento de gratidão pela oportunidade, principalmente pela sublime graça de estar, nesta encarnação, MÃE de dois seres maravilhosos, dos quais tenho muito orgulho, e ouso dizer que esta é a melhor parte da minha vida. 

Gratidão à bondade, misericórdia e justiça do PAI, sempre! 

 

"A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacífico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor denotam alma sem elevação, nem grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio da alma elevada, que paira acima dos golpes que lhe possam desferir. Uma é sempre ansiosa, de sombria suscetibilidade e cheia de fel; a outra é calma, toda mansidão e caridade"

(O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap.X, Allan Kardec).


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