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1857: Um marco na história da Doutrina Espírita. Em 18 de abril o Livro dos Espíritos era lançado

April 18, 2019 16:26 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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O livro dos espiritos quadrado

1857: Um marco na história da Doutrina Espírita. Em 18 de abril o Livro dos Espíritos era lançado! 

– MAS E VOCÊ?

 

O acesso ao conhecimento é fruto de uma trajetória tortuosa e difícil. Quem desliza hoje os dedos na tela de um smartphone e consulta com facilidade páginas e volumes, ou recebe via WhatsApp ‘pdfs’ de livros completos, não se dá conta disso. Às vezes até excluímos, jogamos no lixo, para não sobrecarregar a memória interna do celular ou o cartão de memória. Obras como: O Livro Tibetano dos Mortos, o Bahgavag  Gita, O Manifesto Comunista, A Odisséia, a coleção completa de A Revista Espírita, podem ser impressas em casa, ou sequer isso, apenas vistas folha a folha na telinha. Não nos confrontamos com as dificuldades em adquirir matéria prima para a produção de uma superfície onde escrever, um papiro, um rolo ou um pergaminho, ou com o seu custo. Nem sequer escrevemos - digitamos. Ainda mais complexo seria lidar com a censura às ideias, o impedimento oficial à divulgação de uma maneira de pensar que não fosse a dominante. Possuímos a liberdade para construir nosso próprio juízo de valor sobre as coisas, as pessoas, as crenças. Podemos ter opinião.

Kardec não lidou com essa liberdade de expressão. Os recursos de impressão, graças a Guttemberg no século XV, já eram bem difundidos; os ideais libertários iluministas do século XVIII já estavam consolidados e difundidos; a notoriedade e o poder da inquisição haviam declinado e praticamente se extinguido no início do século XIX; os  métodos de divulgação já eram bem desenvolvidos. As discussões filosóficas e a renovação das ideias já ocupavam expressivo espaço, entretanto, a Igreja Católica ainda era uma potência; as considerações religiosas exerciam significativa influência e prevaleciam. Esse fato garantia a censura e a oposição sistemática, sancionadas pelas autoridades em muitos países e locais do mundo,  e expressas através da violência.

Em novembro de 1861, o artigo que inicia o número de A Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos, publicada por Allan Kardec (2ª edição, fev. 2018, 367 a 371, EDICEL) intitula-se “Os Restos da Idade Média”. Nas palavras do codificador: ‘...a gente pensa sonhar ao ouvir dizer que as fogueiras da Inquisição ainda se acendem em 1861, as portas da França.’ Segue-se mais adiante o seguinte trecho:

Hoje, nove de Outubro de mil oitocentos e sessenta e um, às dez horas e meia da manhã, na esplanada da cidade de Barcelona, lugar onde são executados os criminosos condenados ao último suplício, e por ordem do bispo desta cidade, foram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiritismo, a saber: “A Revista Espírita, director Allan Kardec; “A Revista Espiritualista, director Piérard; “O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec; “O Livro dos Médiuns, pelo mesmo; “O que é o Espiritismo, pelo mesmo; “Fragmentos de sonata ditada pelo Espírito Mozart; “Carta de um católico sobre o Espiritismo, pelo Dr. Grand; “A História de Joana d’Arc, ditada por ela mesma à Srta. Ermance Dufaux ; “A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta, pelo Barão de Guldenstubbé.”

Referia-se Kardec, aos acontecimentos que se desenrolaram na Espanha, em relação à divulgação da doutrina espírita no país. O ato era a manifestação visível da intolerância, oposição e resistência sistemática a ideias consideradas novas, demoníacas, falsas, desarrazoadas e apócrifas.

O lançamento de O Livro dos Espíritos ocorrera em abril de 1857, há 162 anos (o que rememoramos anualmente). Apesar da expressiva acolhida em círculos intelectuais de destaque (a escritora George Sand, Victor Hugo, provavelmente Chopin, tiveram acesso a exemplares*) havia intensa oposição, tanto dos religiosos fanáticos como dos materialistas e ateus convictos. Mas Allan Kardec conclui no corpo do artigo citado:

Se examinarmos o caso do ponto de vista de suas consequências, diremos, para começar, não haver dúvida de que nada poderia ser mais favorável ao Espiritismo. A perseguição sempre foi proveitosa à ideia que se quer proscrever. Por ela se exalta a sua importância, chama-se a atenção dos que a ignoravam e que passam a conhecê-la. Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo na Espanha vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é ele. Eis tudo quanto desejamos. Podem queimar-se livros, mas não se queimam ideias.”

E de fato, tal ocorreu. Não só na França e na Espanha, mas em todo mundo a divulgação das ideias espíritas ocorreu. Mas estaríamos apenas alinhavando informações históricas se parássemos nossa argumentação por aqui. O trajeto realizado pela doutrina, somado às facilidades de acesso atual ao conhecimento, e ainda a dilatada posição em que nos encontramos como humanidade em relação a consciência, esse o mais relevante dos pontos, nos impõe certas tarefas. Tendo essa reflexão em mente:

1 - Como você tem se colocado qual veículo de transformação pelo conhecimento que adquiriu no meio em que está inserido?

2 – Como age, fazendo utilização do que aprendeu sobre a vida imortal, quando das ações dos outros que incidem sobre você? Apenas reage?

3 – O quanto contribui como agente multiplicador dos princípios da doutrina espírita através dos seus comportamentos?

4 – Como realiza a leitura dos fatos ao seu redor, econômicos, políticos, sócio-culturais, a partir do que você sabe?

5 – Que gênero de atitudes a sua postura provoca em relação ao espiritismo?

São questionamentos no singular, cuja finalidade é provocar análise pessoal.

O espírito Emmanuel através de Chico Xavier e Waldo Vieira nos exorta:

Lembra-te deles, os quase loucos de sofrimento, e trabalha para que a doutrina Espírita lhes estenda socorro oportuno. Para isso, estudemos Allan Kardec, ao clarão da mensagem de Jesus Cristo, e, seja no exemplo ou na atitude, na ação ou na palavra, recordemos que o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação.” (Estude e Viva, Emmanuel e André Luiz,  cap. 40, 235, 13ª edição FEB).

Lembremos mais:

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se ascende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus, 5:14-16)

                                              Uósnei Moncorvo, Comunidade Espírita Casa de Oração Luz

*https://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1242:o-encontro-de-allan-kardec-com-george-sand&catid=15:baudememorias&Itemid=2  ; http://www.vinhadeluz.com.br/site/noticia.php?id=1912 ;

 

"(...) Este livro é, portanto, o resultado de um trabalho coletivo e conjugado entre o Céu e a Terra. O Prof. Denizard não o publicou com o seu nome ilustre de pedagogo e cientista, mas com o nome obscuro de Allan Kardec, que havia tido entre os druidas, na encarnação em que se preparava ativamente para a missão espírita. O nome obscuro suplantou o nome ilustre, pois representava, na Terra, a Falange do Consolador. Esta falange se constituía dos Espíritos Reveladores, sob a orientação do Espírito de Verdade e dos pioneiros encarnados, com Allan Kardec à frente.

A 16 de março de 1860, foi publicada a segunda edição deste livro, inteiramente revisto, reestruturado e aumentado por Kardec, sob orientação do Espírito de Verdade, que, desde a elaboração da primeira edição, já o avisara de que nem tudo podia ser feito naquela. Assim, a primeira edição foi o primeiro impacto da Doutrina Espírita no mundo, preparando ambiente para a segunda que a completaria. Toda a Doutrina está contida neste livro, de forma sintética, e foi posteriormente desenvolvida nos demais volumes da Codificação.

Escrito na forma dialogada da Filosofia Clássica, em linguagem clara e simples, para divulgação popular, este livro é um verdadeiro tratado filosófico que começa pela Metafísica, desenvolvendo cm novas perspectivas a Ontologia, a Sociologia, a Psicologia, a Ética, e estabelecendo as ligações históricas de todas as fases da evolução humana em seus aspectos biológico, psíquico, social e espiritual. Um livro para ser estudado e meditado, com o auxílio dos demais volumes da Codificação."

José Herculano Pires,

tradutor

 

 


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