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31 de março: Desencarne de Allan Kardec

March 31, 2018 11:49 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Desencarne de allan kardec

 Em 31 de março de 1869, desencarnou Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido por Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita. 140 anos após esta data, o escritor espírita Adilton Pugliese relembra o fato em artigo publicado na Revista Reformador, da Federação Espírita Brasileira, transcrito na íntegra abaixo.

 

Recordando a desencarnação de Allan Kardec 

Adilton Pugliese [1][2]

 

Fundador da Filosofia Espírita.

Esta identificação, logo abaixo do nome de Allan Kardec, insculpida na herma de bronze em seu túmulo, localizado no Cemitério do Père-Lachaise, em Paris, é acompanhada de outra sentença que caracteriza aspectos fundamentais da Doutrina por ele codificada em meados do século XIX:

Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito.

Insculpida no frontispício do busto, a frase imortalizada pelo escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), e por outros pensadores, cintila possibilidades reencarnacionistas:

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”.

A herma e seu pedestal estão como que guardados num impressionante monumento funerário de rochas de granito, caracterizando três autênticas pilastras e mais uma pedra tabular sobre elas. É o dólmen de Allan Kardec, de autoria do escultor francês Charles-Romain Capellaro (1826-1899), que se inspirou em sepulturas célticas antigas, inaugurado em cerimônia solene em 31 de março de 1870, pelas duas horas da tarde, quando se comemorava um ano do seu passamento.

No dia do sepultamento do Codificador, no Cemitério Montmartre, em Paris, em 2 de abril de 1869, às 12 horas, oradores se revezaram para relembrar o desenlace ocorrido entre as 11 e 12 horas de 31 de março daquele ano, em sua residência, situada na Rua Sainte-Anne, 59, Passagem Sainte-Anne.

Mais de mil e duzentas pessoas, dentre elas membros e médiuns da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, amigos e simpatizantes, bem como representantes do povo, acompanharam o cortejo fúnebre, que “seguiu a rua de Grammont, atravessou os grandes bulevares, a rua Laffitte, Notre-Dame-de-Lorette, a rua Fontaine, os bulevares exteriores (Clichy) e entrou finalmente no Cemitério Montmartre [...]”.

Vários acompanhantes do féretro ouviram as palavras emocionadas do astrônomo e médium, membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Camille Flammarion (1842-1925), que discursou por cerca de meia hora, após a oração proferida pelo Sr. Levent, exaltando a figura do mestre, deixando para a posteridade o seu emocionante depoimento:

Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra... [...] Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. [...] A imortalidade é a luz da vida, como este refulgente Sol é a luz da Natureza. “Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!”.

A viúva Allan Kardec, Sra. Amélie-Gabrielle Boudet (1795- -1883), acompanhada dos confrades mais íntimos, certamente narrava a todos os amigos do casal o momento doloroso. Sozinho em sua casa, na Rua Sainte-Anne, Allan Kardec organizava objetos pessoais para mudar de residência. Eles iriam residir na “Avenue et Vila Segúr, no 39, local, aliás, onde Kardec tinha casa de sua propriedade, pelo menos desde 1860”. Durante a azáfama para arrumar e acondicionar livros de sua biblioteca, correspondência, mobiliário e utensílios domésticos, o Codificador, sempre solícito, resolve atender “um caixeiro de livraria” interessado em adquirir exemplar da Revue Spirite, e, de repente, cai pesadamente ao solo, fulminado pela ruptura de um aneurisma.

Alexandre Dellane, pai do famoso escritor Gabriel Dellane (1857-1926), provavelmente o mais desolado de todos, lembrava-se do seu esforço para tentar reanimar o amigo de tantos anos. Chamado pelo caixeiro e pelos criados de Allan Kardec, atendeu com rapidez e, ao encontrá-lo inerte, “[...] friccionou-o, magnetizou-o, mas em vão. Tudo estava acabado”.

O Sr. E. Muller, “grande amigo de Kardec e de sua esposa”, durante o sepultamento certamente revivia as emoções de tê-lo visto logo após a desencarnação, visão essa que ele estampara em carta enviada no mesmo dia ao amigo comum, Sr. Finet, de Lyon, nesses termos:

[...] Penetrando a casa, com móveis e utensílios diversos atravancando a entrada, pude ver, pela porta aberta da grande sala de sessões, a desordem que acompanha os preparativos para uma mudança de domicílio; introduzido numa pequena sala de visitas, que conheceis bem, com seu tapete encarnado e seus móveis antigos, encontrei a Sra. Kardec assentada no canapé, de face para a lareira; ao seu lado, o Sr. Delanne; diante deles, sobre dois colchões colocados no chão, junto à porta da pequena sala de jantar, jazia o corpo, restos inanimados daquele que todos amamos. Sua cabeça, envolta em parte por um lenço branco atado sob o queixo, deixava ver toda a face, que parecia repousar docemente e experimentar a suave e serena satisfação do dever cumprido.

O Sr. Levent, discursando em nome da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a SPEE, da qual era vice-presidente, ainda mais acentua as emoções de todos, ao relembrar “a fisionomia ao mesmo tempo benevolente e austera, o tato perfeito, a justeza de apreciação, a lógica superior e incomparável do mestre [...]”.

Cento e quarenta anos após a desencarnação de Allan Kardec, sua memória continua viva, mais do que a de qualquer outra personalidade histórica, cujos restos mortais estão sepultados no Père-Lachaise. Próximos ao seu mausoléu, “o segundo mais procurado pelos visitantes”[3], estão os despojos de celebridades como Yves Montand (1921-1991), cantor e ator popular; Guillaume Apollinaire (1880-1918), escritor e poeta nascido em Roma; Marcel Proust (1871-1922), escritor francês autor de Em Busca do Tempo Perdido, dentre outros famosos.

Mestre, o símbolo dos teus despojos está na França. Nem todos os espíritas brasileiros, teus discípulos, que te amamos, podemos visitar o dólmen druídico, que representa a memória de tua passagem na Terra, durante quase 65 anos, quando consolidaste a promessa feita por Jesus da vinda do Consolador, ao qual denominaste Espiritismo, cujos princípios básicos deixaste grafados em cinco obras fundamentais que escreveste em conjunto com os Espíritos superiores, os quais acompanharam a tua emocionante jornada.

É nessa coletânea notável que nos legaste, de conteúdo científico, filosófico e religioso, que podemos então sempre rever-te, cada vez mais intenso e vivo, em todas as atividades do Movimento Espírita brasileiro, prestando-te, dessa forma, significativa homenagem.

Envolvendo-te, portanto, nesta atitude de respeito e consideração, com as energias das mais quintessenciadas vibrações, como expressão da nossa gratidão, associamo-nos às palavras de despedida de Flammarion: “Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!”

 

Referências:

[1] Recordando a desencarnação de Allan Kardec - Artigo de Adilton Pugliese para Revista Reformador, edição de março 2009.

[2] Dados extraídos da obra Allan Kardec: o educador e o codificador, de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, v. 2, 2. ed. especial. FEB, 2004. p. 260-288.

[3] A Tarde Cultural, Salvador (BA), 12 de junho de 2004, p. 6 e 7.


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