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Amélie Boudet, uma educadora dedicada às ideias espíritas

November 23, 2021 19:04 , by Vicente Aguiar - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Amélie Boudet, uma educadora dedicada às ideias espíritas 

Amélie Gabrielle Boudet

                                           - Um texto de Ianara Reis

Nascida em Thiais, pequena cidade francesa em 23 de novembro de 1795, filha única do tabelião Julien-Louis Boudet e da senhora Julie-Louise Seigneat de Lacombe, passou a viver em Paris, após a conclusão do curso primário. Na capital francesa, iniciou os estudos na primeira Escola Normal Leiga do país alicerçada no método Pestalozzi. Após a formatura em pedagogia, Amélie se dedicou às letras, sendo poetisa, e às artes plásticas por formação acadêmica, atuando em ambas as áreas como professora. Participou de campanhas em defesa da democratização e reorganização do ensino francês, intervenções que culminaram com a oficialização do ensino primário em seu país. Dentre as obras de sua autoria estão “Contos de Primaveris” (1825), “Noções de Desenho” (1826) e “O Essencial em Belas Artes” (1828).

Seu matrimônio com Hippolyte Léon Denizard Rivail, posteriormente Allan Kardec, aconteceu em 1832, em cerimônia civil, quando ela tinha 37 anos e ele ainda não havia se tornado o codificador das obras principais do Espiritismo.

Amélie foi companheira e apoiadora de Rivail no trabalho de codificação da Doutrina, assim como na divulgação do espiritismo, contribuindo significativamente para o êxito da obra, inclusive dando suporte nas atividades domésticas, possibilitando ao codificador se dedicar à sua obra. Juntamente com Kardec, foi cofundadora do Instituto Técnico. Segundo Samuel Smiles:

Os supremos atos da mulher geralmente permanecem ignorados, não saem à luz da admiração do mundo, porque são feitos na vida privada, longe dos olhos do público, pelo único amor do bem”.

Sabe-se que a relação entre Kardec e Amélie era de profundo respeito, admiração e cumplicidade. É possível notar esse carinho no trecho da carta escrita por Kardec, em 1861, por ocasião da sua viagem a Lyon, para divulgação do Espiritismo:

Minha querida Amélie:

Escrevo-lhe de novo sob a impressão da emoção da jornada de ontem; são esses eventos que deixam marcas inesquecíveis na vida. Como lhe dizia, era o dia do banquete: havia mais de 160 pessoas, das quais muitas vieram me cumprimentar e abraçar.

(...) Já não são mais por centenas que se contam os espíritas em Lyon, senão por milhares. Em toda parte há médiuns, e entre os que tenho visto existem muito bons.

(...) Estive ocupado de tal modo que não tive tempo para visitar os meus conhecidos. Tinha a intenção de partir amanhã, domingo, mas como desejo ver ao Sr. e à Sra. Rigolet, irei à sua casa de campo, o que transfere minha partida para a segunda-feira. Chegarei a Paris na terça-feira ao meio-dia.

Teu muito amado,

HLDR.  

Amélie contribuiu com a codificação de “O Livro dos Espíritos”, lançado em 1857 e participou ativamente dos desdobramentos advindos da publicação, como a fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) ocorrida no ano de 1858. Foi parte fundamental para a primeira publicação do periódico espírita “Revue Spiritte” que contribuiu com a obra espírita por mais de cem anos.

Após a desencarnação de Kardec em 1869, ela fundou e administrou a Sociedade Anônima de Espiritismo, dando continuidade às obras espíritas, planejamento estabelecido conjuntamente com o esposo e assumiu os encargos necessários à gestão do espiritismo.

Com idade mais avançada, em 1882, delegou à Madame Fropo e à Delanne a fundação da União Espírita Francesa e seu jornal oficial, O Espiritismo.

Aos 87 anos, no ano de 1883, Amélie deixou a existência física em virtude de um mal súbito por consequência de queda, próxima ao leito, sem deixar herdeiros. Seu patrimônio foi destinado à Sociedade Anônima de Espiritismo, sendo futuramente centro de disputas diversas. Após a sua morte foi inaugurado o Institut Amélie Boudet, em sua homenagem. Acredita-se que Amélie além de conselheira foi inspiradora de projetos levado a cabo por Kardec. De autor não mencionado:

Sua existência inteira foi um poema cheio de coragem, perseverança, caridade e sabedoria”.

Referências Bibliográficas

 

 

 


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