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Dia da Consciência Negra

November 20, 2018 20:26 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Imagem: Foto do Monumento à Zumbi dos Palmares, de autoria da artista plástica baiana Márcia Magno, localizada na Praça da Sé em Salvador-BA

 

Dia da Consciência Negra

Anualmente em 20 de novembro, o Brasil rememora o Dia da Consciência Negra, não exatamente uma data de celebração, mas de reflexão sobre o racismo estrutural presente na sociedade, que segrega nossos irmãos de caminhada, de forma explícita ou velada, pelo fenótipo que apresentam.

A data foi concebida em referência à morte de Zumbi, herói nacional pela libertação de negros escravizados e líder do Quilombo dos Palmares em Alagoas, assassinado por bandeirantes em 20 de novembro de 1965. Em 1971, o poeta Oliveira Silveira e o Grupo Palmares sugeriram a data, em substituição ao 13 de maio – Abolição da Escravatura pelo Brasil – como marco de conscientização e mobilização social. Tal ideia foi apreciada pelos movimentos contra a discriminação racial, tornando-se referência do projeto que originou a Lei 12.519/2011, que institui oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

A Doutrina Espírita é inequívoca ao nos colocar todos como Espíritos criados iguais, com os mesmos direitos perante as leis divinas. As diferenças sociais que existem na experiência humana na Terra são decorrentes da inferioridade moral, que perpetra uma série de desigualdades e injustiças, tal qual é o racismo.

806. É lei da natureza a desigualdade das condições sociais?

“Não; é obra do homem e não de Deus.

a) — Algum dia essa desigualdade desaparecerá?

“Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia a dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. (...) Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social.” [O Livro dos Espíritos, Lei de Igualdade, pergunta 806]

 Em plena vigência da escravidão no Brasil, que perdurou até 1888, já esclareciam os Espíritos da Codificação sobre este regime, em 1857:

“... É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos.” [O Livro dos Espíritos, pergunta 829]

“... Durante longo tempo, os homens consideraram certas raças humanas como animais de trabalho, munidos de braços e mãos, e se julgaram com o direito de vender os dessas raças como bestas de carga. Consideram-se de sangue mais puro os que assim procedem. Insensatos! Nada veem senão a matéria. Mais ou menos puro não é o sangue, porém o Espírito.” [O Livro dos Espíritos, Lei de Liberdade, pergunta 831]

 As diferenças morais e intelectuais que supostamente existiriam entre as etnias diferentes da caucasiana caem por terra no exame de Kardec sobre o paradigma mais aceito à época, que era baseado no racismo científico do século XIX:

(...) Deus, em sua justiça, não pode ter criado almas desigualmente perfeitas. Com a pluralidade das existências, a desigualdade que notamos nada mais apresenta em oposição à mais rigorosa equidade: é que apenas vemos o presente e não o passado. Segundo ela [a Doutrina Espírita], não há muitas espécies de homens, há tão-somente homens cujos espíritos estão mais ou menos atrasados, porém todos suscetíveis de progredir. Não é este princípio mais conforme à justiça de Deus? [O Livro dos Espíritos, Capítulo V, Considerações sobre a pluralidade das existências]

Nesse sentido, esclarecem os Espíritos a igualdade de todos perante o Criador:

“Todos os homens são irmãos em Deus, pois que eles são animados por um espírito e tendem ao mesmo fim.” [O Livro dos Espíritos, Diversidade das Raças Humanas, pergunta 54]

Em A Gênese, a Lei de Igualdade é reafirmada, colocando a Doutrina Espírita em objeção clara ante as diferenças sociais e ressaltando a reencarnação como princípio que, se compreendido, elimina as injustiças impostas pelas classes opressoras:

Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação. Se pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade [A Gênese, cap. I, item 36]

Se somos todos iguais, por que, então, não conseguimos refletir esta crença na sociedade? As explicações dos Espíritos, já mencionadas, se refletem no tecido social, político e econômico, na inferiorização a população negra, desvalorização de sua cultura, e invisibilização de suas pautas. Todavia, tal retrato é provisório, por mais que nos custe vislumbrar um futuro de igualdade. O progresso da humanidade é inescapável e passa necessariamente pelo aprimoramento espiritual, que levará à eliminação das desigualdades sociais.

É imperativo que erradiquemos o racismo (assim como outras formas de discriminação), seja no cotidiano da vida ou na conduta dentro do movimento espírita. A reflexão do 20 de novembro (e todos os dias!) é de auto exame de consciência, atentos à reprodução proposital ou irrefletida de pensamentos, palavras ou ações que materializam o racismo na sociedade. Tal atitude vigilante e atenta ao outro, reflete a Lei de Justiça, Amor e Caridade, preconizada pelo Espiritismo:

“Disse o Cristo: Queira cada um para os outros o que quereria para si mesmo. No coração do homem imprimiu Deus a regra da verdadeira justiça, fazendo que cada um deseje ver respeitados os seus direitos. Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante, em dada circunstância, trate o homem de saber como quereria que com ele procedessem, em circunstância idêntica. Guia mais seguro do que a própria consciência não lhe podia Deus haver dado.” [O Livro dos Espíritos, Lei de Justiça Amor e Caridade, pergunta 876].

Assim é que a Doutrina Espírita contribui para o progresso da humanidade, “(...) abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.  [O Livro dos Espíritos, Lei do Progresso, pergunta 799].

 

Incognoscível

Para o Infinito, Deus não representa

A personalidade humanizada,

Pelos seres terrenos inventada,

Cheia, às vezes, de cólera violenta.

Deus não castiga o ser e nem o isenta

Da dor, que traz a alma lacerada

Nos pelourinhos negros de uma estrada

De provação, de angústia e de tormenta.

Tudo fala de Deus nesse desterro

Da Terra, orbe da lágrima e do erro,

Que entre anseios e angústias conheci!

Mas, quanto o vão mortal inda se engana,

Que em sua triste condição humana

Fez a essência de Deus igual a si!

[do Espírito Antero de Quental, negro, nascido nos Açores em 1842, e desencarnado por suicídio, em 1891. Do Livro Parnaso Além Túmulo, psicografia de Chico Xavier]


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