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Doutrina Espírita e Abolição da Escravatura brasileira

May 13, 2016 22:17 , by Redação CDC - 1One comment | No one following this article yet.
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DOUTRINA ESPÍRITA E ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA BRASILEIRA

 

Livro dos Espíritos – P. 829. Há homens naturalmente destinados a ser propriedade de outros homens?

— Toda sujeição absoluta de um homem a outro é contrária à lei de Deus. A escravidão é um abuso da força e desaparecerá com o progresso, como pouco a pouco desaparecerão todos os abusos.

 Detalhe do quadro de Auguste François Biard (1798-1882): A abolição da escravatura

[Detalhe do quadro de Auguste François Biard (1798-1882): A abolição da escravatura]

 

A escravidão, no Brasil, dos negros trazidos do continente africano era um fato cotidiano oficialmente até o dia 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assinou a “Lei Áurea”, apenas 128 anos atrás, dando legalmente liberdade total e definitiva aos brasileiros escravizados. Naquele momento, fazia apenas 31 anos que a Doutrina Espírita tinha surgido na França, clarão de luz acerca das leis divinas.

A Lei Áurea veio como um resultado de muitas lutas do movimento abolicionista e foi precedida da Lei do Ventre Livre, que libertou todas as crianças nascidas escravas, e da Lei dos Sexagenários, que alforriou os escravos com mais de 60 anos. Todavia, a abolição da escravatura, com a Lei Áurea, não garantiu a negros e negras uma vida digna. O que antes era um absurdo oficializado se tornou discriminação - racial, social, humana - às margens da lei, porém não velada. A memória daquele povo de seu continente e tradições de origem já tinha sido vilipendiada pelos pelourinhos e grilhões, o que só se perpetuou, com sua marginalização da sociedade.

As estatísticas oficiais estimavam pouco mais de 700 mil escravos na data da abolição. Em poucos anos, mais da metade dos libertos havia morrido. Acostumados ao trabalho nas fazendas, os ex-escravos, em sua maioria, foram se aventurar nas cidades, sem preparo e enfrentando barreiras do preconceito. De acordo com o historiador Florestan Fernandes:

“Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumisse encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho”

Encontrando tantos becos sem saída, muitos degradaram, caindo no alcoolismo, na criminalidade ou na mendicância. Idosos e crianças ficaram abruptamente sem proteção, sem cuidado, sem nada. Tiveram início as primeiras favelas urbanas. As sequelas dessa época marcam a sociedade brasileira até hoje.

Três décadas antes, os Espíritos já enunciavam que a força do progresso se faria presente, mesmo nas sociedades mais arraigadas no egoísmo:

Livro dos Espíritos, pergunta 806 – a) Essa desigualdade desaparecerá um dia?

— Só as leis de Deus são eternas. Não a vês desaparecer pouco a pouco, todos os dias? Essa desigualdade desaparecerá juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando tão somente a desigualdade do mérito. Chegará um dia em que os membros da grande família dos filhos de Deus não mais se olharão como de sangue mais ou menos puro, pois somente o Espírito é mais puro ou menos puro, e isso não depende da posição social.

Ainda naquelas situações de dor, Deus não deixou de agir através do poder do Amor. Nas senzalas, famílias de escravos, antes tribos rivais na África, apoiaram-se mutuamente, desenvolvendo o amor fraternal para superar o sofrimento. Crianças negras e brancas cresciam e brincavam juntas, numa amizade que floresceria para mais tarde somar aos movimentos abolicionistas companheiros de ideal das classes mais abastadas, vencendo assim as diferenças.

Amores proibidos geram filhos clandestinos, porém muito amados. A crença daqueles povos nos planos invisíveis da vida facilitou a difusão do Espiritismo no território brasileiro. Exemplos de amor e superioridade moral na figura de tantos “pretos e pretas velhas”, espíritos superiores ali encarnados para cumprir a missão de acolher os irmãos em aflição, guiando-os, apaziguando-os e consolando-os, semeando também o amor no coração de seus senhores.

Embora saibamos que a Providência Divina não falha e tem sempre os seus propósitos, a escravatura é “sempre culpável de uma violação da Lei Natural” (Livro dos Espíritos, pergunta 830), mas os exemplos de luta e amor que ficaram são como o lírio nascido do esterco: devem ser admirados como símbolos de superação da força do Bem.

Por isso, nesta data, que possamos refletir sobre o racismo ainda presente em nossa sociedade e sofrido por nossos irmãos, bem como sobre as lições  - doces e amargas - que temos a aprender com nossa história, para que todos possamos trabalhar pela Lei (divina) de Igualdade e contribuir para a instauração do Reino de Deus na Terra.

 

 REFERÊNCIAS:


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