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E a mulher?

March 8, 2019 15:58 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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E a Mulher? [1]

Inúmeras questões, através da história, demonstraram a marcada diferença estabelecida pela cultura de diversas sociedades quanto à existência e expressividade da mulher em seus atributos e direitos: a fonte da infelicidade do homem pelo pecado, o status de propriedade desse nas sociedades antigas, a perseguição medieval sob a alcunha de bruxas, a impossibilidade de acesso à educação formal em pé de igualdade com os homens, entre outros.

Não se sabe ao certo, a razão pela escolha da data em março. No início dos anos 1900, nos últimos dias de fevereiro, foi criado o Dia Internacional da Mulher. Nesse período, a luta de mulheres por melhores condições de trabalho, tanto na Rússia, como nos Estados Unidos, ganhava força. Foi fixado em 08 de março, por intenção de  homenagear um grupo de mulheres jovens que morreram queimadas em um incêndio, em 1911, enquanto trabalhavam, em Nova York, nos Estados Unidos, trancadas em uma indústria têxtil*.

Certamente Kardec estava ciente das ideias propagadas a respeito da desigualdade de gêneros em sua época. Através do título “As Mulheres tem Alma?” discorre nesses termos na Revista Espírita, número de janeiro de 1866, entre outras considerações: “Portanto, só existe diferença entre o homem e a mulher em relação ao organismo material, que se aniquila com a morte do corpo. Mas, quanto ao Espírito, à alma, ao ser essencial, imperecível, ela não existe, porque não há duas espécies de almas. Assim quis Deus, em sua justiça para com todas as suas criaturas. Dando a todas um mesmo princípio, estabeleceu a verdadeira igualdade. A desigualdade só existe temporariamente, no grau de adiantamento; mas todos têm direito ao mesmo destino, ao qual cada um chega por seu trabalho, porque Deus não favoreceu ninguém às custas dos outros.”

Do ponto de vista espiritual, não há qualificativos que diferenciem homens e mulheres, entretanto, do ponto de vista material, no corpo, para além dos caracteres fisiológicos, as experiências são distintas. Aqui está para os espíritas a grande questão.

Comentando a resposta dos espíritos na questão 202 de O Livro dos Espíritos Kardec esclarece: "Os Espíritos encarnam como homens ou mulheres, porque não tem sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhe proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens."

Reencarnar tem um objetivo, uma função. O espírito desenvolve aptidões, altera condicionamentos. Desfaz-se de caracteres indesejáveis. E no processo de crescimento pessoal, interfere no meio em que está inserido. Essa interferência prossegue modificando a maneira como os sexos e seus papéis vão sendo vividos e vistos. E isso podemos constatar na forma, em nossos dias, pela qual a questão é tratada. O que difere em muito do século dezenove, apesar do muito em que temos ainda que caminhar.

Logicamente, o espírito sofre as repercussões da organização do meio em que está reencarnado, sua cultura, organização social e preconcepções, que se bem utilizadas como recurso de crescimento, contribuem inclusive para seu processo evolutivo.

Ainda que nos surpreenda, em pleno século XXI, a mentalidade sexista, misógina e limitada da sociedade, expressa nas mais diferentes formas de cultura, insere a mulher em uma posição de inferioridade em relação ao homem. Essa tendência pode ser percebida no expressivo número de atos de violência contra a mulher. Sejam estes através da proibição de serem vistas com a pele exposta a luz do dia, soterradas sob uma burca, ou ainda como nos últimos nove anos, quando mais de 10 mil mulheres foram vítimas de feminicídio ou de tentativas de homicídio**. Essa violência perpassa atitudes aparentemente silenciosas, no desnivelamento em questões salariais, exclusivismo masculino no preenchimento das vagas, e outras atitudes supostamente inofensivas, mas que refletem uma forma de pensar, que conduzirá consequentemente a uma maneira de agir, que pode, sim, resultar em extremos. Tais conceitos estão tão visceralmente arraigados, que até em uma atitude cotidiana, e aparentemente inocente, uma fala, revela-se muito: alguém dirige um veículo de forma desajeitada ou excessivamente prudente e imediatamente nos vem a boca – é mulher! Nunca colocaríamos no mesmo patamar assassinato e uma frase como esta, entretanto, é preciso rever conceitos, pois eles constroem comportamentos. É preciso modificar mentalidades.

Leon Denis exprime-se com estas palavras (O Problema do Ser do Destino e da Dor, 2ª parte, capítulo XIII, FEB, 1ª edição, pg. 245): “O papel da mulher é imenso na vida dos povos. Irmã, esposa, mãe, é a grande consoladora e caridosa conselheira. Pelo filho é seu o porvir e prepara o homem futuro, Por isso, as sociedades que a deprimem, deprimem-se a si mesmas.” Aqui o autor evidencia o papel da mulher na construção do futuro, como instrumento que possibilita a vinda dos espíritos em novos corpos, acolhendo-os através da maternidade, e como educadora, no aspecto de conselheira, desses seres que poderão através de suas escolhas bem direcionadas construir o amanhã.

O que nos cabe então?

Ao tratar do ser e de seu destino, Emmanuel, em dissertações filosóficas, cap. 32, pag. 167, segundo parágrafo, diz-nos: "Portanto, qualquer alma tem o seu destino traçado do ponto de vista do trabalho e do sofrimento, e, sem paradoxos, tem de combater com seu próprio destino, porque o homem não nasceu para ser vencido; todo espírito labora para dominar a matéria...” O nobre mentor espiritual, diante das profundas questões que hoje se desenvolvem em torno do assunto dos gêneros, certamente substituiria a palavra ‘homem’ por ‘ser humano’. Cabe-nos agir em posse de nossas consciências, reformando concepções e renovando conceitos, com o propósito de formular uma sociedade plena, digna e justa – humana, para homens e mulheres. Para espíritos em processo de evolução.

[1] Texto de Uósnei Moncorvo, Comunidade Espírita Casa de Oração Luz

https://www.ilo.org/global/about-the-ilo/newsroom/features/WCMS_152708/lang--en/index.htm

https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,tragedia-marcou-luta-pelos-direitos-das-mulheres,12144,0.htm

**https://istoe.com.br/denuncias-de-feminicidio-e-tentativas-de-assassinato-chegam-a-10-mil/


This article's tags: Dia da mulher

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