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Em 16 de março de 1893 desencarna Teles de Menezes

March 16, 2021 11:40 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Em 16 de março de 1893 desencarna Teles de Menezes

Teles de menezes

 

Em 16 de março de 1893 desencarna Teles de Menezes

 

Luis Olimpio Telles de Menezes (TM), nasceu em 26 de Julho de 1825, filho de Fernando Luis Telles de Menezes e de D. Francisca Umbelina de Figueiredo Menezes. 

Ainda bem moço resolveu seguir carreira militar, assim como seu pai e se inscreveu no curso de artilharia, mas logo mudou de planos e iniciou como professor particular e Letras. Lecionou por vários anos e chegou a escrever um livro “Ortoepia da Língua Portuguesa”.

Mas a missão proposta para a vida de TM era a de espalhar a ‘boa nova’ do Espiritismo nas terras do Brasil e ele o fez com dignidade e alegria.

Em 1849 era sócio-fundador da ‘A Época Literária’, jornal de caráter científico, literário e histórico, com dissertações sobre belas-artes. Teles de Menezes, então com a idade de 24 anos, já casado, havia um ano, com D. Ana Amélia Xavier de Menezes, publicou ali a sua novela ‘Os Dois Rivais’

A essa altura a propaganda ostensiva da Doutrina Espírita nas terras baianas, quer em folhetos, quer nos jornais leigos, já estava se alastrando mais que fogo em palha seca. Foi então que Teles de Menezes, José Álvares do Amaral e o Dr. Joaquim Carneiro de Campos subscreveram e inseriram no Diário da Bahia de 28 de Setembro de 1865, artigo que refutava o trabalho do Dr. Déchambre, publicado, havia seis anos, na “Gazette Médicale de Paris”. O Dr. Déchambre argumentava que os fenômenos das mesas girantes, por não serem novos, não eram realidade, já que havia sido descrito anteriormente por Teócrito, um poeta grego do período helenístico.

 O artigo-réplica daqueles três impávidos vanguardeiros ecoou favoravelmente no espírito dos leitores, chegando ao conhecimento do próprio Allan Kardec, que em sua ‘Revue Spirite’ de novembro de 1865 expressou, em torno do fato, a justa satisfação que lhe ia n´alma, projetando-se assim, pela vez primeira, no cenário espírita mundial, o nome do Brasil.

Em Salvador, no ano de 1866 foi lançado o livreto “O Espiritismo - Introdução ao Estudo da Doutrina Espirítica”, impresso pela Tipografia de Camillo de Lellis Masson & Cia. Eram páginas extraídas e traduzidas por Teles de Menezes da 13ª edição francesa de “O Livro dos Espíritos”. No prefácio desta, Teles de Menezes diz do seu júbilo “de ter sido o primeiro na Bahia que, fervorosamente, esposou a doutrina espirítica”, afirmando, adiante, ser a sua Província natal, “metrópole de todas quantas grandes ideias surgem no Brasil”, a escolhida pela Bondade Divina para ser o centro onde as ideias espíritas se irradiariam por toda a Nação.

Desde sempre, tudo que se apresenta de maneira diferente ao status quo estabelecido por uma maioria detentora de poder gera estranheza e muitas vezes exclusão e/ou violência. Um ponto muito comum na História da Humanidade são os conflitos quanto às religiões. No Brasil de 1860 não era diferente: a Constituição do Império permitia a coexistência de outras religiões, porém a religião oficial era o catolicismo e as demais deveriam permanecer no âmbito doméstico. Um ponto interessante era que mesmo com as restrições, a Constituição previa que ninguém poderia ser perseguido por sua religião desde que respeitassem os limites do Estado e não ofendesse a moral pública.

Toda essa efervescência chamou a atenção do público e também da igreja católica. Nesse período a igreja baiana era representada pelo novo Arcebispo da Bahia, D. Manuel Joaquim da Silveira, que em 25 de julho de 1867 trouxe à público a carta pastoral intitulada “Os Erros Perniciosos do Espiritismo”. Esse texto foi corajosamente analisado e comentado por Teles de Menezes, no mês seguinte, numa célebre carta aberta ao Metropolitano e Primaz do Brasil, carta que teve duas edições no mesmo ano de lançamento. A segunda edição é precedida de um longo prefácio em que o autor explica a doutrina espírita como àquela que se refere à preexistência, reencarnação e manifestação dos Espíritos, juntando um artigo favorável publicado no jornal jesuítico “La Civiltà Cattolíca” de 1857.

A despeito da carta pastoral do Arcebispo e da brochura do Padre Juliano José de Miranda, secretário da Sé Metropolitana, escrita em contestação à carta aberta de Teles de Menezes, nada impediu que o Espiritismo multiplicasse adeptos na Bahia, aprofundando raízes nos corações férteis e generosos do povo.

Em paralelo a todos esses acontecimento em 17 de setembro de 1865 iniciou-se o primeiro e legítimo agrupamento de espíritas no Brasil, Grupo Familiar do Espiritismo, destinado igualmente a orientar, a propagar e a incentivar a criação de outras sociedades semelhantes pelo resto do País. 

TM compreendia a arenosidade da tarefa, porém seguia resignado e confiante, desempenhando a valorosa missão do Alto. Por vezes comentava como “árdua e até espinhosa a tarefa, sim, mas irradiante de bem fundadas esperanças”.

Uma missão tão árdua e sublime quanto essa não se executa sem o apoio e compaixão de muitos. Nessa jornada TM teve a companhia de grandes personalidades baianas, pessoas ilustres da sociedade da época que com certeza abrilhantaram a experiência.

Em março de 1869, no Grêmio dos Estudos Espiríticos na Bahia, Luís Olímpio anunciava aos colegas que logo seria lançado primeiro número de um jornal, que se consagraria - esclarecia ele - exclusivamente aos interesses da Doutrina.  ‘O Eco d'Além-Túmulo’, com o subtítulo - Monitor do Espiritismo no Brasil era publicado bimestralmente e impresso na Tipografia do Diário da Bahia. A publicação foi notada pela Sociedade Anônima do Espiritismo de Paris e circulou por Paris e Londres. 

A primeira Associação Espirítica Brasileira foi vetada pela igreja e pelo órgão governamental da época com argumento que o Espiritismo era “um atentado formal contra a verdade católica”, e que “uma sociedade, cuja doutrina tem por fim contrariar a Religião do Estado é contra o mesmo Estado”. 

Atentos às dificuldades impostas pela intolerância religiosa, os integrantes do grupo iniciaram os trabalhos como sociedade cientifica, que à época permitia-se o funcionamento, sem necessidade de autorização.

Teles de Menezes dirigiu a instituição como primeiro presidente e, pouco depois, ganhou o título de presidente honorário. Deixou o cargo após inúmeras investidas quanto a sua moral, agitadas pela intolerância religiosa do momento.

A vida de Luis Olimpio Teles de Menezes foi forjada no trabalho árduo para disseminação e florescimento da doutrina espírita. Os seus frutos doces e suculentos podemos desfrutar hoje: uma proposta de transformação pessoal, repleta de amor como são os ensinamentos de Jesus.

T.M. julgou seu trabalho concluído nas terras baianas e mudou-se para o Rio de Janeiro com a sua segunda esposa Srª Elisa Pereira de Figueiredo Menezes, onde trabalhou como estenógrafo até 1892 quando uma nefrite crônica se agravou e veio a falecer em 16 de março de 1893.

Desencarnou em pobreza extrema, e o enterro foi feito no Cemitério de S. Francisco Xavier, custeados por dois colegas taquígrafos, que lhe prestaram os melhores serviços de amizade.

 

Referências: 

Wantuil, Zêus. Grandes espíritas do Brasil, FEB. Brasil, 2002.

https://www.febnet.org.br/blog/geral/noticias/nascimento-de-telles-de-menezes/

http://www.autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/Luiz%20Olympio%20Telles%20de%20Menezes/Luiz%20Olympio%20Telles%20de%20Menezes.htm

https://espirito.org.br/artigos/as-mesas-girantes-3/

PIMENTEL, Marcelo Gulão; ALBERTO, Klaus Chaves; MOREIRA-ALMEIDA, Alexander. As investigações dos fenômenos psíquicos/espirituais no século XIX: sonambulismo e espiritualismo, 1811-1860. Hist. cienc. saude-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 23, n. 4, p. 1113-1131,  Dec.  2016 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702016000401113&lng=en&nrm=iso>. access on  10  Mar.  2021.  Epub May 06, 2016.  https://doi.org/10.1590/s0104-59702016005000010.

 

780. O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?

“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.” (192-365)

a) – Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral?

“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher.

O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos

(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec).”

 

 


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