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Em 30 de maio de 1431 é queimada viva Joana d'Arc

May 26, 2021 17:49 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Joanadarc

Em 30 de maio de 1431 é queimada viva Joana d'Arc!

 

Joana d’Arc, mediunidade às últimas consequências

Sim, minhas vozes eram de Deus! Minhas vozes não me enganaram.”

Essas foram as últimas palavras exclamadas por Joana d’Arc, no dia 30 de maio de 1431, ao ser queimada viva, em praça pública, na cidade de Rouen, na França. Acusada de “mentirosa, perniciosa, enganadora do povo, adivinha, blasfemadora de Deus, descrente na fé de Jesus Cristo, gabola, idólatra, cruel, dissoluta, invocadora dos diabos, sistemática e herética”, conforme consta nos autos do processo fraudulento e ardiloso que foi montado contra ela.

A menina Joana d’Arc (em francês, Jeanne d’Arc) que nasceu no ano de 1412, numa pequena aldeia chamada de Domrémy, filha de pobres lavradores, teve três irmãos e uma irmã. Camponesa simples, analfabeta, dedicava seu tempo aos cuidados com os animais e a arte de fiar lã.

Por volta dos seus doze para treze anos, teve sua primeira visão: a figura do Arcanjo São Miguel acompanhado de duas mensageiras espirituais, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia revelavam os caminhos que precisavam ser traçados pela garota.

Durante quatro anos, ela hesitou falar sobre os seus diálogos com as vozes que apareciam com certa constância, no entanto a história se espalhava pelos vilarejos e um dia, por orientação das vozes, ela deixa sua família e inicia a sua missão de salvar a França do julgo inglês.

Joana passou por vários testes e provações. Afinal de contas estamos no século XV, a França era um território dividido por conflitos e guerras em todos os cantos e eis que surge uma virgem, camponesa, ignorante que afirmava ser enviada por Deus para libertar o seu povo.

Diante desse cenário, a menina com seus 19 anos reconheceu o rei Carlos VII que tentou testá-la, disfarçando-se em meio a outras pessoas da corte; Joana liderou o exército francês em várias batalhas; mobilizou o sentimento de pertencimento e nacionalismo da população francesa; desafiou poderes da época; questionou líderes da Igreja Católica: este é um breve resumo da atuação da médium Joana d’Arc.

Aquela época tudo era visto como sobrenatural, mágico, misterioso, não à toa que foi acusada de bruxaria, mas aos olhares da Doutrina Espírita todos os fatos que circundam a vida de Joana são a constatação da ação dos Espíritos em pleno exercício das faculdades mediúnicas apresentadas pela jovem que nunca duvidou das suas vozes.

Como justificar todas as decisões tomadas por aquela menina frente a desafios tão grandes? Como explicar a segurança nas palavras diante de um julgamento que levou seis meses de tortura física, mental e moral? Como compreender a resiliência ao suportar a dor e todo ultraje que fora cometido contra ela? Allan Kardec afirma no livro ‘Obras Póstumas’: “Quem não reconheceria um dom dessa natureza em Joana d’Arc em toda uma multidão de outras personagens que a história qualifica de inspiradas? ”

Quantos médiuns foram atacados como loucos, mentirosos, charlatões, feiticeiros e no caso de Joana, a sua mediunidade a levou a morte da maneira mais cruel que um ser humano poderia sofrer. Mesmo diante de toda dor, a médium Joana exortou: “Quando todos os meus esforços e todas as tentativas se mostravam inúteis, Deus então me pegava pela mão e me fazia transpor a uns e superar a outros.”

A fogueira não calou a voz de Joana. Após a sua desencarnação, o próprio rei Carlos VII, que se utilizou da sua mediunidade e a abandonou no momento em que foi capturada e vendida aos ingleses, lutou para que o seu julgamento fosse anulado, pois não era interessante para ele ter o seu reinado atrelado a uma bruxa. Dessa forma, ele conseguiu que o papa Calisto III anulasse o julgamento, em 1456, e somente em 1920, o papa Bento XV decretou-a como santa e padroeira da França.

A ação desse espírito tão valoroso é importantíssima para a Doutrina Espírita no tocante a libertação da França que futuramente seria o berço da Codificação, além dos seus ensinamentos acerca da fé, conexão e coragem. No Livro dos Médiuns, segunda parte, capítulo XXXI, podemos encontrar uma mensagem de autoria da mesma que orienta os médiuns em relação a sua conduta moral e o cuidado com o deslumbramento da ação mediúnica: “As faculdades, das quais os médiuns gozam, lhes atraem elogios dos homens; as felicitações, as adulações: eis seu escolho. {...}. Espero que esta comunicação produza seus frutos, e desejo que possa ajudar os médiuns a se colocarem em guarda contra esse escolho onde viriam a se destruir; esse escolho, eu vos disse, é o orgulho.”

Um outro ponto que circunda a trajetória de Joana d’Arc é a informação que ela seria a reencarnação de Judas Iscariotes. No livro ‘Crônicas de Além-Túmulo’, ditado pelo espírito Humberto de Campos, ao médium Chico Xavier, destacamos essa passagem onde o espírito declara sobre o seu arrependimento: “Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus, e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição, deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV. Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência…”. Além dessa fonte, outros nomes relevantes fazem menção a essa simetria histórica: Divaldo Franco; Hermínio de Miranda, no livro Cristianismo a mensagem esquecida; Zilda Gama, em ‘O Solar de Apolo’, ditado pelo espírito Vitor Hugo; além do grande Léon Denis que escreve Joana d’Arc Médium, livro de referência sobre a forma honrosa como ela desempenhou a sua missão.

Atualizando a vida de Joana d’Arc podemos refletir sobre vários prismas: o nível de confiança na Espiritualidade, a conexão que estabelecemos com os nossos guias espirituais, a fé nos desígnios de Deus, a capacidade de mobilizar outras pessoas através daquilo que acreditamos, a humildade acima de tudo e a vigilância no exercício mediúnico não se deixando seduzir pelo orgulho.

“Nunca a memória de Joana d’Arc foi objeto de controvérsias tão ardentes, tão apaixonadas, como a que, desole alguns anos, se veem levantando em torno desta figura do passado.” (Léon Denis)

REFERÊNCIAS

  • D’ARC, Joana (Espírito). História de Joana d’Arc: ditada por ela mesma [psicografia] Ermance Dufaux. 2ª ed. Rio de Janeiro: edições Léon Denis, 2006. 
  • DENIS, Léon. Joana d’Arc Médium. Tradutor: Guillon Ribeiro. Editora FEB.
  • DENIS, Léon. Cristianismo e Espiritismo. 12ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
  • GAMA, Zilda. O Solar de Apolo. Pelo Espírito Vitor Hugo. 2ª parte – O Solar de Jesus.
  • KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. IDE, 85ª edição, 2008.
  • MIRANDA, Hermínio C. Cristianismo a mensagem esquecida. 4. ed. Matão/SP: O Clarim – cap. 11. item III. Livre-arbítrio. pág. 303.
  • XAVIER, F. Cândido. Crônicas de Além-Túmulo. Pelo Espírito Humberto de Campos. 17. ed. 1. imp. cap. 5. Judas Iscariotes.
  • XAVIER, F. Cândido. A Caminho da Luz: história da civilização à luz do espiritismo/ditado pelo espírito Emmanuel. 30ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003

 

“Terá Joana sofrido muito? Ela própria nos assegura que não. “Poderosos fluidos– diz-nos –choviam sobre mim. Por outro lado, minha vontade era tão forte que dominava a dor.”

Está morta a virgem da Lorena. O Espaço todo se ilumina. Ela se eleva e paira acima da Terra, deixando após si um rastro luminoso. Já não é um ser material, mas um puro Espírito, um ser ideal de pureza e de luz. Os Céus se lhe abriram até ao infinito. Legiões de Espíritos radiosos vêm-lhe ao encontro, ou lhe formam cortejo (...).

Joana d’Arc era, pois, uma intermediária de dois mundos, uma médium poderosa. Por isso, foi martirizada, queimada. Tal, em regra, a sorte dos enviados do Alto; expõem-se às perseguições dos homens, porque estes não querem ou não podem compreendê-los. Os exemplos que dão e as verdades que espalham são um óbice aos interesses terrenos, uma condenação das paixões ou dos erros humanos.

O mesmo ocorre em nossos dias. Conquanto menos bárbara do que a Idade Média, que os lançava em massa às fogueiras, nossa época ainda persegue os agentes do Além”.

(Léon Denis, livro: Joana d’Arc médium). 


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