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Envelope e Conteúdo - Uósnei Moncorvo

July 15, 2020 12:09 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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ENVELOPE E CONTEÚDO

- Uósnei Moncorvo

 

A Revista Espírita é um valioso repositório de conhecimento. Através dela Kardec divulgava as experiências que chegavam ao seu conhecimento, enviadas por carta de todo o mundo. Publicava também o resultado de suas observações pessoais no contato com o mundo espiritual.

No número de maio de 1858, página 163, sob o tema Problemas Morais, em três de quatro itens, o espírito São Luis responde a interessantes perguntas. 

1 ─ De dois homens ricos, o primeiro nasceu na opulência e jamais conheceu a necessidade; o segundo deve a fortuna ao próprio trabalho. Ambos a empregam exclusivamente na satisfação pessoal. Qual deles é o mais culpável? ─ O que conheceu o sofrimento. Ele sabe o que é sofrer.

2 ─ Aquele que acumula continuamente, sem fazer o bem a ninguém, terá uma desculpa aceitável na ideia de acumular para deixar bastante aos filhos? ─ É um compromisso com a consciência má.

3 De dois avarentos, o primeiro se priva do necessário e morre de privações sobre o seu tesouro; o segundo só é avarento para com os outros: é pródigo para consigo mesmo. Enquanto foge ao menor sacrifício a fim de prestar um obséquio ou fazer algo de útil, não põe limite aos seus prazeres pessoais. Aborrece-se quando lhe pedem um favor; quer entregar-se aos seus caprichos, que nunca lhe faltam. Qual o mais culpado e qual deles terá o pior lugar no mundo dos Espíritos? ─ O que goza. O outro já recebeu a sua punição.

Os questionamentos são dirigidos através de comparações, entre as atitudes de homens em condições semelhantes de vida, que agiam de maneira similar, mas que possuíam em cada exemplo fornecido, níveis diferenciados de conhecimento ou de consciência, para realizarem as suas escolhas. Ou ainda, no contraponto entre duas atitudes.

Na primeira situação, dois homens são dotados de fortuna, e fazem mau uso dela. Um deles nasceu rico, o outro atravessou imensos sacrifícios para adquirir a fortuna que veio a usar de maneira imprópria. Inquirido sobre de quem era a culpa maior pelo ato, o espírito esclarece, como sendo do miserável que conquistou a riqueza pelo esforço.

Na segunda situação, uma pessoa se esquiva de fazer o bem com os recursos adquiridos, em razão de preservá-los para o bem estar futuro da família. Seria justificável? São Luis mais uma vez esclarece: o indivíduo incorreria em compromisso e  sua consciência havia sido má.

Na terceira situação, tratam-se de dois homens avarentos. Um deles se submete a privação para preservar mesquinhamente a fortuna. O outro faz o mesmo, pensando exclusivamente em si, tão egoísta como o outro. Mas evita sistematicamente fazer o bem a qualquer pessoa. O ato até mesmo lhe causa repulsa. Questionado, o espírito São Luis esclarece que este é mais culpado, justificando que a punição do outro já havia sido imposta por ele mesmo em vida.

Avaliemos o quadro geral, em primeira instância, lembrando que há inclusive uma outra situação num quarto item (recomendamos a leitura).

Não podemos deixar de ressaltar que a temática principal das questões é a diversidade de consequências que os diferentes posicionamentos desequilibrados com os bens materiais proporciona, sendo estes bens aqui representados pela riqueza.

Podemos dilatar a compreensão, sem distorcer, tomando os bens materiais como uma representação.  A relação de apego que construímos, pode se dar com a riqueza enquanto posse, com a valorização exagerada ao corpo, com o trato exacerbado com a beleza, com o poder, o prazer, entre outros. Em todos os casos, cada um destes assumindo o lugar de posse ou prioridade na vida, e o trato que estabelecemos com eles determinando nosso grau de afinidade com a matéria, escravizando-nos ou libertando-nos.

Mais profundamente, as três situações ressaltam o agravo causado pelo nível de conhecimento e grau de consciência, quando realizamos escolhas. A experiência de vida, o juízo equivocado e a omissão agravam as consequências dos nossos erros.

Quem escolhe precipitadamente, ou sob a força das circunstâncias, sem conhecimento de causa, ainda que colha os efeitos das suas ações, não pode ser responsabilizado com a medida de quem realiza um ato de forma consciente! 

Quem ajuíza sobre um assunto, considera detidamente e opta por aquilo que lhe proporciona maiores vantagens, ou menores prejuízos, vale-se lucidamente de valores pessoais para decidir. Realiza de forma intencional. Consequentemente, assume o impacto proporcional pela conduta assumida. 

Quem age mesquinhamente, sofre em si mesmo os efeitos do fel que produz, desequilibrando-se e vivendo uma vida miserável. Quem recusa-se a fazer o bem, de forma mesquinha, e nega ao necessitado a oportunidade de alívio, priva-se da oportunidade de servir, e com isso condena a si mesmo. Não vê no infeliz, a despeito da máxima evangélica (Mateus 25:35-45), a representação do Mestre, negando-o.

Adquirir conhecimento, elevando o patamar de consciência interno, resulta em crescimento proporcional de responsabilidade. Quem se habilita e enxerga, não pode permitir que aqueles que não enxergam, ou vem na retaguarda, caiam no abismo que ele percebe à frente, por ter chegado primeiro.

Quem já tropeçou e caiu, ao passar por caminho similar com outros, não apenas desvia-se, mas alerta os companheiros.

Não fazer o mal, não é o suficiente para evidenciar modificação e apropriar-se do título de homem de bem (Livro dos Espíritos 642, 918)!

Jesus ao conversar nas sinagogas, abria um dos rolos e comentava os trechos da Lei e dos Profetas, como era entre eles o costume (Lucas 4:17-21). 

No Evangelho no Lar, nos propomos também a fazê-lo. 

Que na leitura das Obras Básicas, e subsidiárias, sem distorcer a verdade, mas buscando as consequências do conhecimento proporcionado, consigamos retirar o espírito da letra, sendo capazes de alimentar o coração! 

Remover o envelope, e mergulhar no conteúdo!

*Recomendamos para considerações adicionais sobre buscar o entendimento da essência, nas passagens do Evangelho, e segundo nosso entendimento, por extensão, das Obras Básicas, a leitura de Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita, Ensinos e Parábolas de Jesus, parte 1, módulo 2, roteiros de 1 a 3 

 

964. Mas será necessário que Deus atente em cada um dos nossos atos, para nos recompensar ou punir? Esses atos não são, na sua maioria, insignificantes para Ele?

“Deus tem Suas leis a regerem todas as vossas ações. Se as violais, vossa é a culpa. Indubitavelmente, quando um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento, dizendo-lhe, por exemplo: Foste guloso, vou punir-te. Ele traçou um limite; as enfermidades e muitas vezes a morte são a consequência dos excessos. Eis aí a punição; é o resultado da infração da lei. Assim em tudo.”

Todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as conseqüências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade ou da nossa infelicidade futuras (...).

(O Livro dos Espíritos/Allan Kardec)

 


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