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ESPERANÇA - Sentimento que nos leva adiante

September 22, 2019 11:02 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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ESPERANÇA

- Uósnei Moncorvo

Os nossos sentimentos são o substrato da mais complexa obra em que estamos envolvidos: a nossa evolução.

Lidar com eles, compreendê-los, arrumá-los dentro de nós, encontrarmos uma forma de expressão saudável destes, é o nosso desafio.

Há poucos dias, eu mesmo, sofri com uma decepção repentina, carregada de frustração e entrelaçada em significados traumáticos de vivências anteriores. Porque sou, somos, humanos.

O lembrete questionamento é: quais as suas convicções sobre o futuro? O que pensa do sentido de viver, da função desse viver? O que espera, se entende assim, das lições que as dificuldades e problemas da vida podem lhe trazer?

Essas reflexões estão entrelaçadas no ponto de vista que chamamos de perspectiva, tratado no primeiro texto, e na compreensão do sentido da presença de angústias, tratado no segundo texto. Aqui evocamos os elementos presentes em sua estrutura psíquica que dizem respeito a ESPERANÇA.

Poderia ser um simples exercício de imaginação, mas essa não se baseia apenas em valores e construções vivenciais. Seria só um exercício de sua criatividade, elaboração e fantasia. 

Poderia ser delirante e alucinógena, se fosse patológica ou provocada por substâncias. Mas falamos aqui de se dispor a produzir sentido e significado com suas crenças, seus valores, e informações verificáveis e factuais.

Allan Kardec, orientado pelos espíritos superiores, trata da nosso momento  terrestre como um capítulo, no trânsito de nossa existência. Isso porque somos espíritos eternos em nossos corpos e experiências atuais de vida passageiros (O Livro dos Espíritos questões 133, 134). Com esse entendimento, aprendemos que os acontecimentos diários, além de momentâneos, tem uma função, efetivada pela maneira como os tratamos. 

Experiências de quase morte, comunicações de além túmulo, campos do conhecimento em construção, como a física quântica, tem aproximado cada vez mais a ciência oficial da constatação da sobrevivência e continuidade da vida após o fim do corpo.

A dificuldade faz parte do existir (Evangelho Segundo o Espiritismo, capitulo 5, item 4). As perdas, são parte processual do viver. O sofrimento é derivativo da categoria evolutiva do mundo e dos seres nele existentes (O Livro dos Espíritos 55 a 58). Situações sem explicação, agora, são fruto de ocorrências comportamentais anteriores, escolhas errôneas de vidas passadas (O Evangelho Segundo o Espiritismo capitulo 5, item 6).

O que fazemos com o material apresentado, gera consolidação de valores aprendidos, ressignificação de traumas antigos, resgate de endividamentos passados. E promove elevação a níveis espirituais e psíquicos de outra natureza (O Livro dos Espíritos 188 a 170).

Há projetos para cada vida humana – propósito. Amparo para o atravessamento de cada situação (O Livro dos Espíritos 489 a 495). Nossa tarefa é ampliar a consciência, para tomar parte presencial nas nossas decisões.

A sensação de amargura a respeito da vida, a vaga sensação de inutilidade, de falta de propósito, ou ainda a falta de capacidade de vislumbrar possibilidades outras, para além da realidade do momento, é humana.

Vou me permitir a apropriação dos versos da canção Floresça (Saulo Fernandes, Roberto Mendes), para seguir as nossas reflexões. Sugiro ouvir a música.

Serenidade é preciso! Por onde quer que passemos. Qualquer que seja a situação que vivamos. Como a água de poço onde a seca prevalece. Providencial!

Converse com o céu!

Você não irá muito longe sem acreditar, sem se permitir acessar pelo sagrado que existe em você. São estratégias de enfrentamento religioso. Alimenta!

Agirá! Acredite. No tempo certo, essa força maior do que você lhe tomará, e acompanhada de todos recursos concretos que você se permitir acessar (ouvidos disponíveis, amigos afetuosos, profissionais competentes e qualificados) e você superará o momento. Desde que se permita continuar a viver essa oportuna existência.

Convença o universo a girar no seu tempo.

Você sabe qual o seu tempo? O tempo das coisas? Entende de verdade o que é melhor pra você agora? O que não pode ser? Tolera o “não” da vida’? Favorece os acontecimentos pela sua própria disposição interna, ou os dificulta?

Navegue! Deslize, siga o curso das coisas sem antecip-las. Não se prenda ancorado no que já passou. Mas assegure-se nessa jornada de seu leme, sua vela, ou seu motor. E do equipamento salva vidas. Como o sol, acredite, e simplesmente se derrame em luz sobre tudo que surgir a sua frente.

Deixe que o amor e o abraço, o afeto, os sentimentos de profundidade, lhe proporcionem sustentação.

Alcance processualmente a segurança. Conecte-se com o seu coração, como sendo seu guia, sua bússola - sinta.

Quando você aprende, se liberta.

Nas palavras de Maria Dolores, através de chico Xavier, em antologia da Espiritualidade:

 

Alma querida,

Por mais que o mundo te atormente

A fé simples e boa,

Por mais te lance gelo na alma crente,

Na sombra que atraiçoa,

Alma sincera,

Escuta!...

Sofre, tolera, aprende, aperfeiçoa,

porque de esfera a esfera,

Ninguém consegue a palma da vitória,

Sem apoio na luta.

 

Espera, que a esperança é a luz do mundo –

Oculta maravilha –

Que, em toda a parte, se revela e brilha

Para a glória do amor.

A noite espera o dia, a flor o fruto,

O espinho a rosa, o mármore o buril,

O próprio solo bruto

Espera o lavrador

Armado de atenção, arado e zelo...

O verme espera o sol para aquecê-lo.

A fonte amiga que se desentranha

Do coração de pedra da montanha,

Enquanto serve, passa e se incorpora

Aos encargos do rio que a devora,

E espera descansar,

Quando chegue escondida

A paz da grande vida

Que há no seio do mar.

 

Seja o que for

Que venhas a sofrer,

Abraça o lema regenerador

Do perdão por dever.

Leva pacientemente o fardo que te leva,

Entre o rugir do vento e o praguejar da treva...

Abençoa em caminho

Os açoites da angústias em torvo redemoinho;

Onde não passas, coração

E segue sem parar,

Amando, restaurando, redimindo...

Edificando, em suma,

Não te revoltes contra coisa alguma!...

Ao vir a tarde mansa,

Na doce quietação crepuscular,

Quando a graça do corpo tomba e finda,

Verás como foi alta, nobre e linda

A ventura de esperar.

 

E, enquanto a noite avança

Para dar-te as visões de uma alvorada nova,

Nas asas da esperança,

Bendirás a amargura, a dor e a prova,

Agradecendo a Terra a bênção de entendê-las.

Subirás, subirás

Para o ninho da luz nas estâncias da paz,

Que te aguarda, tecido em radiações de estrelas!...

Então, compreenderás

Que, além do mais Além –

No Coração da Altura –

Deus trabalha, Deus sonha, Deus procura,

Deus espera também!...


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