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Manjedoura, Espada, Vontade e Paz

December 20, 2019 12:56 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Manjedoura, Espada, Vontade e Paz

Paz!

Quantos sentidos se podem dar a esta palavra?

Calma, harmonia, concórdia. Ausência de conflitos, de discórdia, de guerras. Calma interior, reconciliação.

A que convergem os sentidos atribuídos à paz?

Anunciada aos homens, por uma multidão celeste, surgida nos acontecimentos ao redor da manjedoura (Lucas 2:14), ela seria o resultado das ações humanas voltadas à boa vontade! Que dizer então da associação entre paz, ações e vontade?

A paz ao homem seria o resultado dum ativo exercício da vontade numa boa direção**. Até porque, a vontade, enquanto potência da alma, pode ou não ser aplicada a bons propósitos.

 Somente o reino estabelecido nos corações humanos traria a paz.

“A paz legítima emerge do coração feliz e da mente que compreende, age, e confia.
É realizada em clima de prece e de amor, porque, da consciência que se ilumina ante os impositivos das Divinas Leis, surge a harmonia que fomenta a dinâmica da vida realizadora.
Essa paz não se turba, é permanente.”( Joanna de Ângelis, Filho de Deus, cap. 2)

Em consonância com o Sermão do Monte, a busca desse reino – significando o exercício da vontade na construção de uma atitude interna de melhoria e crescimento pessoal – acrescenta, supre, todas as nossas necessidades (Mateus 6:33). Porque o necessário sofre redimensionamento, assume um outro lugar dentro de nós.

A paz que é exercício de uma ativa boa vontade, manifesta-se em uma processual transformação. Numa modificação de caráter apenas produzida pela maturidade da experiência, aliada a aplicação do conhecimento na vida pessoal. Ela surge da percepção consciente dos acertos e erros, e do reconhecimento da responsabilidade e das consequências das escolhas. Como não seria esta paz, precedida pelo estabelecimento da espada (Mateus 10:34-36)*,  uma guerra familiar, entre os simbólicos parentes internos, vícios e virtudes, aptidões e fraquezas? As nossas virtudes e defeitos, podem ser chamadas de ‘parentes’. Elas fazem parte da nossa família interna, que precisamos tornar a nós mesmos, conhecidas. São os pandavas e kuravas, do  Mahabharata, épico indiano clássico, com origem atribuída a 1.500 – 2.000 AC através de Krishna. É a família do jovem príncipe Arjuna, que guerreia e, no campo de batalha, este é orientado pelo serviçal anão, o cocheiro Krishna, disfarçado, atuante no papel de consciência diretiva desperta. A guerra entre essa simbólica família interna é necessária para que ocorra a mudança.

Era imperioso que a paz celeste, anunciada pelas multidões angelicais, os espíritos superiores, fosse decretada pela espada da palavra do Mestre, que para consolidá-la promovesse, entre outros gêneros,  uma luta interna.

Emmanuel no livro Roteiro, capítulo dois, nos torna cientes de que nossos sentidos são janelas estreitas que captam apenas fragmentos da realidade. A vivência como reencarnados oportuniza, pelo enfrentamento pessoal, a descoberta dos nossos conteúdos internos, assim como o acesso aos recursos para mudar o que reconhecemos ser indesejado.

Mas a paz da manjedoura, em forma de palavra, também silenciaria as tempestades (Marcos 4:39): interiores. A palavra do Verbo (João 1:1) que cria, também transforma. Afinal é o Evangelho, Boa Nova, doutrina rediviva através do Consolador, que nos modifica caso permitamos.

Diz-nos Amélia Rodrigues em Primícias do Reino:

“O Evangelho - a nova ou a boa nova - é a mais expressiva história de uma vida, através de outras vidas, iluminando a vida de todos os homens. É a história de um Homem que se levanta na História e faz-se maior do que a História, dividindo-a com o Seu Nascimento, de modo a constituir-se o marco rutilante dos fastos do pensamento universal.”

A paz da manjedoura seria também a ordem que promoveria a cura à distância (Lucas 7:1-10). Voz que soergue os espíritos da inferioridade moral, doentia, a estatura luminosa das oportunidades em diferentes esferas de crescimento, figurativo retorno a vida!

A paz da manjedoura se traduziria, na dignidade serena que receberia o beijo da traição e longe de perturbar-se impediria a violência da espada, manchada pelo sangue da orelha do escravo do sumo sacerdote. Essa serenidade configura a vontade, que dirigida e boa,  não se turba pela balbúrdia, ou pelo desassossego das agitações do ambiente. Pelo contrário, se posiciona e medica os ouvidos alheios – cura as orelhas decepadas. Exercida, a serenidade dirigida pela vontade se propaga, e vence a violência que como doença apenas contagia. Bem ao estilo de um Mahatma Gandhi, que desestrutura um sistema opressor inteiro, vencendo a violência das castas e poderes estrangeiros opressores com greves de fome. O conteúdo simbólico do ato! As idéias e ideais por trás das escolhas!

A paz da manjedoura se traduz em VERDADE, posicionada, que se conceitua, se mostra, diante da omissão de mãos que se sentem lavadas e livres de responsabilidade (João 18:38; Mateus 27:24). Se mostra não como grito, mas como lúcido questionamento “porque me bates?”(João 18:23) Questionamento que diante da insensatez, representa a argumentação lúcida, que atordoa a loucura alheia!

Não tomemos estas considerações por religiosismos ou igrejismos. São apenas reflexões convenientes aos festejos da época!

A lucidez iluminada aponta a direção. Só virando a cabeça em direção ao fim do túnel, despertam-se os embriagados para que abandonem o fundo do poço onde teimosamente repetindo os mesmos erros se encontram em escuridão!

Acolhamos as saudações de glória a Deus nas alturas através da transformadora paz dos corações humanos de boa vontade.

Uósnei Moncorvo

 

*Considerações mais amplas sobre essa passagem podem ser obtidas no capítulo XXIII do Evangelho Segundo o Espiritismo.

** É de conhecimento público, que as inúmeras traduções e versões dos textos originários reunidos como o Evangelho, sofreram alterações e adulterações através dos séculos. Dessa forma, compreendemos que a tradução do versículo bíblico de Lucas 2:14, onde o senso comum apropriou-se da frase: ‘paz na terra aos homens de boa vontade’, não constitui a tradução mais fidedigna, haja visto a forma diferenciada com que o versículo é grafado na tradução do Novo Testamento pelo confrade Haroldo Dutra: ‘Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens’. Entretanto, mantivemos a forma na mensagem discorrida, valendo-nos por assim dizer, da licença poética, o que não significa ratificar inverdades. Reflexões acima serão válidas também para estimular em cada leitor, a busca pelo conhecimento.


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