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Mergulhar em si mesmo. Compreender as aflições como oportunidade de evolução

April 26, 2021 21:01 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Mergulhar em si mesmo. Compreender as aflições como oportunidade de evolução!

Mergulho1

 

Ainda em abril, no mês do Espiritismo, quando celebramos o lançamento de O Evangelho segundo o Espiritismo em 1864, façamos um mergulho em nós mesmos. Com a proposta de nos guiar o caminho, Allan Kardec trouxe organizado nesse livro, o ensino moral de Jesus Cristo. Em uma comunicação mediúnica publicada na Revista Espírita no ano de 1864, o Espírito de Verdade declara: “Um novo livro acaba de aparecer. É uma luz mais brilhante que vem clarear a vossa marcha”. 

No texto abaixo, reflitamos sobre o esclarecimento de Jesus quando nos revelou: “Bem-aventurados os aflitos”.

 

MERGULHO

                             (Uósnei Moncorvo)

 

Impossível acessar águas profundas, sem se submeter às condições de pressão, muito diferentes das que se encontram na superfície.

Além dos equipamentos necessários, o próprio corpo, por necessidade, adapta-se momentaneamente. A sua homeostase, sua harmonia interna, adequa-se à temporária permanência nas águas mais profundas. 

E ao retornar à superfície também o fará, buscando ajustar-se e readaptar-se.

Assim são os mergulhos profundos da criatura humana, nas oscilações produzidas pela vida. 

Os altos e baixos.

Antes de toda ordem, um caos. 

Semelhante às placas tectônicas que se movem silenciosamente sob nossos pés, e às vezes produzem efeitos catastróficos na superfície, a vida oscila. 

A impermanência do que se vê, é um fato.

Surgem as importunas situações que, com frequência, denominamos catástrofes pessoais: decepções, conflitos, crises econômicas, adoecimento, perdas, luto.

E os problemas ao surgirem para nós remetem a um imenso apagão. A luz praticamente desaparece ou, até mesmo instala-se um eclipse, diante de nossa dificuldade de compreensão.

Reativos, mobilizamos boa parte de nossa energia, foco, atenção, na insubmissão à existência do problema.

No exaustivo e interminável interrogatório interno, que busca justificação e não sentido no que está acontecendo, a mente inflama-se e consome-se.

Sempre que a aparente treva chegar, ela terá no momento em que chega, a sua consistência! Não há como lhe negar o papel de anverso da luz e, por conseguinte, a sua função. 

Nesse sentido, para transformarem-se em novas coisas, as antigas precisam ser consumidas, deixar de existir!

Negar ou resistir à progressão das mudanças através das dificuldades sucessivas é desperdício de valiosa energia. Acolhê-las no seu papel é oferecer o manto a quem pediu a capa, como sugeriu Jesus.  

Por vezes falta-nos, na perfectibilidade que está no horizonte, a visão e a convicção de que a luz do dia surgirá no nascente. 

Possuímos nossas fragilidades.

Entretanto, guardemos, com humildade, o conhecimento no formato de certeza de que o dia claro virá! 

Aperfeiçoados pelas provas, edificaremos sobre o conhecimento a experiência e, sobre ela, a perseverança. 

Tudo mais passará!

 

19 – Vossa terra é por acaso um lugar de alegrias, um paraíso de delicias? A voz do profeta não soa ainda aos vossos ouvidos? Não clamou ele que haveria choro e ranger de dentes para os que nascessem neste vale de dores? Vós que nele viestes viver, esperai portanto lágrimas ardentes e penas amargas, e quanto mais agudas e profundas forem as vossas dores, voltai os olhos ao céu e bendizei ao Senhor, por vos ter querido provar! Oh, homens! Não reconhecereis o poder de vosso Senhor, senão quando ele curar as chagas de vosso corpo e encher os vossos dias de beatitude e de alegria? Não reconhecereis o seu amor, senão quando ele adornar vosso corpo com todas as glórias, e lhe der o seu brilho e o seu alvor? Imitai aquele que vos foi dado para exemplo. (...)

Até quando os vossos olhos só alcançarão os horizontes marcados pela morte? Quando, enfim, vossa alma quererá lançar-se além dos limites do túmulo? Mas ainda que tivésseis de sofrer uma vida inteira, que seria isso, ao lado da eternidade de glória reservada àquele que houver suportado a prova com fé, amor e resignação? Procurai, pois, a consolação para os vossos males no futuro que Deus vos prepara, e vós, os que mais sofreis, julgar-vos-eis os bem-aventurados da Terra.

Como desencarnados, quando vagáveis no espaço, escolhestes as vossas provas, porque vos consideráveis bastantes fortes para suportá-la. Por que murmurais agora? Vós que pedistes a fortuna e a glória, o fizestes para sustentar a luta com a tentação e vencê-la. Vós, que pedistes para lutar de alma e corpo contra o mal moral e físico; sabíeis que quanto mais forte fosse a prova, mais gloriosa seria a vitória, e que, se saísseis triunfantes, mesmo que vossa carne fosse lançada sobre um monturo, na ocasião da morte, ela deixaria escapar uma alma esplendente de alvura, purificada pelo batismo da expiação e do sofrimento.

Que remédios, pois, poderíamos dar aos que foram atingidos por obsessões cruéis e males pungentes? Um só é infalível: a fé, voltar os olhos para o céu. Se, no auge de vossos mais cruéis sofrimentos, cantardes em louvor ao Senhor, o anjo de vossa guarda vos mostrará o símbolo da salvação e o lugar que devereis ocupar um dia.

A fé é o remédio certo para o sofrimento. Ela aponta sempre os horizontes do infinito, ante os quais se esvaem os poucos dias de sombras do presente. Não mais nos pergunteis, portanto, qual o remédio que curará tal úlcera ou tal chaga, esta tentação ou aquela prova. Lembrai-vos de que aquele que crê se fortalece com o remédio da fé (…)

(O mal e o remédio, Sto Agostinho/ O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.V)


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