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No dia 22/05 nasceu um grande divulgador da Doutrina Espírita

May 22, 2021 11:03 , by Vicente Aguiar - 0no comments yet | No one following this article yet.
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 Conan doyle foto cdcpaeNo dia 22/05/1859 nasceu um grande divulgador da Doutrina Espírita 

 

Arthur Conan Doyle

                                          por Gabriela Soares

Para muitos, ao falarmos o nome de Arthur Conan Doyle não quer dizer nada, mas se falarmos em Sherlock Holmes, o grande detetive com uma linha de pensamento dedutivo, rápido e assertivo, com o toque sedutor da personalidade britânica, aí a conversa segue outro rumo para muitas pessoas.

Pois então, Arthur Conan Doyle é o criador desse personagem emblemático da literatura clássica inglesa, amado mundialmente pelos fãs de histórias investigativas com um toque de suspense. Por trás de um grande personagem sempre há um autor grandioso, cheio de experiências pessoais significativas.

Ele nasceu em Edimburgo, em 1859, filho de Charles Altamont Doyle e Mary Doyle, uma família católica da Irlanda. Seu pai foi um pintor razoavelmente conhecido pela sociedade da época e sofria com o vício do álcool.

Mary, sua mãe, era sua pessoa preferida, amante dos livros e uma exímia contadora de histórias. Assim, a sua infância foi torneada pelos problemas que são peculiares às famílias que possuem um ente querido que sofre com adicção e, por outro lado, também foi cheia de muito amor e carinho.

Aos nove anos Conan Doyle foi para um colégio interno jesuíta na Inglaterra, onde permaneceu por sete anos. Arthur não se agradou com a ideia e foi chorando durante toda a viagem. Naquela época, era comum nas escolas em toda a Inglaterra os castigos físicos e uma dura disciplina. Durante o internato, Arthur descobriu que também era um contador de histórias, como sua mãe. Ele escrevia e contava emocionantes aventuras aos garotos menores.

Tempos depois Doyle escreveu: “Talvez tenha sido bom para mim que os tempos fossem difíceis, pois eu era selvagem, puro sangue e um pouco imprudente. Mas a situação exigia energia e aplicação para que se tentasse enfrentá-la. Minha mãe tinha sido tão esplêndida que eu não poderia decepcioná-la.”

Aos dezesseis anos o jovem Doyle retornou a Edimburgo, onde seu pai foi internado em uma clínica psiquiátrica. Àquela altura, o pai já estava com equilíbrio mental comprometido e em 1880, Arthur abordou os horrores vividos no livro “The Surgeon of Gaster Fell” (O Cirurgião de Gaster Fell, tradução livre).

Se seguisse a tradição familiar Arthur deveria ser um artista. No entanto, escolheu a carreira médica influenciado pelo Dr. Bryan Charles, inquilino de sua mãe, formado pela Universidade de Edimburgo, onde Conan Doyle também foi estudar. Foi lá que teve como professor Dr. Joseph Bell que inspirou o personagem Sherlock. Dr. Bell era mestre em observação, lógica, dedução e diagnóstico e todas essas qualidades foram, mais tarde, encontradas no personagem.

Mas Dr. Bell também foi quem apresentou o espiritualismo a Arthur que, naquela época, definia-se como agnóstico: alguém que afirma ser impossível confirmar a existência de um Deus. Nesse período, o fenômeno das mesas girantes já era notório e recorrente na sociedade europeia. Conan Doyle também foi contemporâneo de Léon Denis, um dos pioneiros da doutrina espírita.

Aos vinte e seis anos graduado, ocupava-se entre o consultório médico e a escrita. Ele casou-se com Louise Hawkins, com quem teve 2 filhos e esteve casado por mais de 20 anos, até a morte de sua esposa. Durante este tempo, seguiu escrevendo seus textos, já consagrado como autor das histórias de Sherlock. Com o tempo, Arthur decidiu deixar a prática médica para escrever, exclusivamente.

Arthur era respeitado por seu caráter, personalidade comunicativa e criativa. Enquanto escritor e ser político apresentava-se investigativo e guiado por senso crítico. Não foi diferente quando apresentado à doutrina espírita cercou-se de pesquisas e informou-se para entender do que se tratava.

Escrever incessantemente, cuidar de Louise, não mais uma esposa, mas uma paciente e depois perder o pai, perturbou profundamente Conan Doyle. Pode muito bem ter sido a depressão resultante que o deixou cada vez mais fascinado pela "vida além do véu". Há muito ele sentia-se atraído pelo espiritualismo, mas quando se juntou à Society for Psychical Research, isso foi considerado uma declaração pública de seu interesse e crença no ocultismo.

No prefácio do livro ‘A Nova revelação’ de 1918, ele traz sua perspectiva do traçado da vida espiritual em toda sua história e em determinado ponto declara:

Enquanto considerei o Espiritismo como uma ilusão vulgar dos ignorantes, pude tratá-lo com desprezo. Desde que, porém, o vi amparado por sábios como Crookes, que eu sabia ser o maior químico da Inglaterra, por Wallace, o rival de Darwin, e por Flammarion, o mais conhecido dos astrônomos, já me não foi possível desprezá-lo.”

Muitos podem entender que da mesma forma que outras teorias errôneas possuem defensores ilustres, uma proposta filosófica também pode. O que difere nessa situação é que contradizer uma ideia, sem buscar argumentos factíveis ou, apenas ser contra, não a deslegitima. Como traz Conan Doyle em outro trecho:

Por algum tempo ainda me mantive no meu cepticismo, considerando que muitos homens notáveis, como o próprio Darwin, Huxley, Tindall e Herbert Spencer, zombavam desse novo ramo de conhecimento. Mas, desde que soube que o desdém da parte deles chegara ao extremo de não quererem ao menos examiná-lo; que Spencer declarara repetidamente ter-se decidido contra ele baseado em razões a priori; que Huxley dissera não o interessar o assunto, fui forçado a admitir que, por maiores que fossem esses homens como cientistas, seu modo de proceder a tal respeito era dogmático e nada científico, ao passo que os que estudavam os fenômenos espíritas e procuravam apreender as leis que os regem, esses seguiam o caminho que nos há conduzido à realização de todos os progressos do saber humano. Tendo chegado tão longe o meu raciocínio, a minha posição de céptico já não era tão firme como dantes.”

Após a morte da sua primeira esposa decorrente de tuberculose, Arthur casou-se com Jean Leckie, com quem teve mais dois filhos. Jean era uma intelectual, uma boa esportista e também uma mezzo-soprano treinada. Ela também se interessava pelo espiritismo e passou a acompanhar o esposo em suas investigações, viagens propagandistas e palestras sobre o tema. Jean também era médium e psicografava mensagens.

Com perdas familiares sucessivas, principalmente a do filho, por uma pneumonia adquirida após a 1ª guerra. Conan Doyle aprofundou suas pesquisas sobre o ocultismo. Em uma delas sobre fadas, encontrou algumas fotos pertencentes a uma família em Cottingley, na zona rural de Yorkshire. Essas imagens pareciam mostrar várias fadas diminutas, dançando na presença de duas adolescentes. As fotos pareciam não ter sido adulteradas. Conan Doyle defendeu as fotos e acabou incluindo-as em seu livro de 1922, ‘The Coming of Fairies’.

Ele era ávido em sua nova paixão pelo oculto e o perseguia com a mesma energia obstinada que demonstrara em todos os seus esforços quando era mais jovem. Como resultado, a imprensa zombou dele e o Clero o desaprovou. Mas nada o deteve.

As principais obras do autor sobre espiritismo são contundentes. O livro ‘A Nova Revelação’ mostra suas primeiras impressões sobre os fenômenos espirituais surgidos a partir de meados do século XIX. Complementam a obra três pequenos subcapítulos descrevendo testemunhos sobre o Espiritualismo, a mediunidade de escrita automática e um caso de poltergeist. No segundo livro, ‘História do Espiritualismo’, averiguando cautelosamente os registros dos fenômenos, descreveu o deslanchar do movimento. Neste livro, narra detalhes dos casos mais intrigantes do Espiritualismo Moderno, como os de: Emanuel Swedenborg, Andrew Jackson Davis, as irmãs Fox (caso de Hydesville), Daniel Dunglas Home, Eusápia Paladino, Madame d'Esperance, entre outros.

Como divulgador da doutrina espírita no mundo inteiro, Conan Doyle investiu uma pequena fortuna, tempo e saúde. É, portanto, considerado um dos ilustres divulgadores do espiritismo. E em 7 julho de 1930 encerrou sua jornada na esfera terrestre rodeado de sua família, no conforto do seu lar. 

Fontes: 

https://www.arthurconandoyle.com/biography.html

https://files.comunidades.net/portaldoespirito/A_Nova_Revelacao_1918.pdf 

https://www.sirconandoyle.org/estudo-mediunidade-no-cotidiano/ 

https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/biografia/dois-senhores-holmes-espiritismo.htm

http://www.mundoespirita.com.br/?materia=arthur-conan-doyle 

https://piaui.folha.uol.com.br/o-rigor-espirita-de-conan-doyle/ 

https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-51072218

https://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/06/Arthur-Conan-Doyle.pdf 

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-arthur-conan-doyle-propagador-do-espiritismo.phtml

https://www.ebiografia.com/arthur_conan_doyle

 

"Trecho entrevista Allan Kardec com o cético:

Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira.

(...)  Que juízo formaríeis de um homem que, sem conhecimento de literatura, sem ter estudado a pintura, se erigisse em censor de uma obra literária ou de um quadro? É de lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o quê, sua opinião não tem valor. Para combater um cálculo é necessário opor-se-lhe outro cálculo, o que exige saber calcular. O crítico não se deve limitar a dizer que tal coisa é boa ou má; é preciso que justifique a opinião por uma demonstração clara e categórica, baseada sobre os princípios da arte ou ciência a que pertence o objeto da crítica.

Como poderá fazê-lo, quando não conhecer esses princípios? Não tendo ideia da mecânica, podereis apreciar as qualidades, ou os defeitos de determinada máquina? Não. Pois bem: o vosso juízo acerca do Espiritismo, que aliás não conheceis, não pode ter mais valor que o que, nas condições acima, emitísseis sobre a aludida máquina. A cada passo sereis apanhado em flagrante delito de ignorância, porque aqueles que têm estudado a matéria verão logo que a desconheceis.

(...) É somente por extensão que a palavra criticar se tornou sinônima de censurar; em sua acepção própria e segundo a etimologia, ela significa julgar, apreciar. A crítica pode, pois, ser aprobativa ou desaprobativa. Fazer a crítica de um livro não é necessariamente condená-lo; quem empreende essa tarefa, deve fazê-lo sem ideias preconcebidas; porém, se antes de abrir o livro, já o condena em pensamento, o exame não pode ser imparcial. Tal o caso da maioria dos que têm falado contra o Espiritismo. Apenas sobre o nome formaram uma opinião, fazendo qual juiz que proferisse uma sentença, sem antes examinar as peças do processo"

(O que é Espiritismo, Allan Kardec).

 


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