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No mês de lançamento de 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', reflita sobre Reconciliação

April 16, 2021 13:27 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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No mês de lançamento de 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', reflita sobre Reconciliação

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Em abril de 1864, provavelmente no dia 15, é apresentado ao mundo, a primeira edição de 'O Evangelho segundo o Espiritismo'. Esse que é terceiro livro das obras fundamentais da Doutrina Espírita, traz o ensino moral do Cristo Jesus para os cristãos de qualquer crença, desenvolvido pelos Espíritos de Luz em comunicações mediúnicas recolhidas, organizadas, comentadas e trazidas a público pelo Codificador Allan Kardec. 

"O ensino moral, o código divino como Kardec o denomina, “é o terreno onde todos os outros podem encontrar-se, a bandeira sob a qual todos podem abrigar-se, sejam quais forem suas crenças, pois jamais foi assunto de disputas religiosas”. A parte moral “exige a reforma de si mesmo” escreveu Kardec na Introdução."

E para refletirmos sobre essa moral, lembremos do capítulo XII - Amai os vossos inimigos -, sob o olhar de Roberto Sabbadini.  

 

Reconciliação

                               (Roberto Sabbadini) 

 

                            “A reconciliação é um basta em seguirmos fragmentados”

                                                                                       Luisa Sabbadini

 

A assertiva de Jesus segundo a qual torna-se imprescindível, para aquele que anseia liberdade no agir, reconciliar com o seu adversário enquanto estás a caminho com ele, reveste-se de um profundo convite à mudança dos padrões pelos quais se encara a vida. O olhar do mundo pertence a cada um em particular. Ele é o mesmo quando estacionamos na conformidade; transmuta-se na medida exata da ressignificação interior.

Proposta muitas vezes incompreendida reporta-nos à obediência da lei e dos amigos mais avançados em conhecimento e experiência. O farol de nossas vidas, Jesus, alumia os escaninhos do coração aliviando torturas morais que depositamos ao longo dos milênios e jazem aguardando uma vontade firme ordenar: “Lázaro, vem para fora”. E uma nova proposta de vida descortina-se a partir daí.

Ajustar para avançar.

A reconciliação, em última instância, sempre será conosco. Uma atitude capaz de aliviar o sentimento denso de carregar um fardo dispensável e incômodo. Assim, seguimos iludidos de que o adversário é sempre o próximo que está a nos fustigar. Alimentamos o propósito de eliminá-lo na esperança de encontrarmos o reino da paz imorredoura. O posicionamento de Jesus, contudo, é diametralmente oposto a essa vã esperança.

Harmonizar é libertar-se.

Toda mudança requer trabalho e esforço constante, ainda mais em se tratando de sacudir o pó dos equívocos interiores que sedimentaram-se em maus hábitos. Procurando justificá-los, buscamos, incansavelmente, alternativas de menor esforço. Essas consistem em espelhar no semelhante o adversário que, inadvertidamente, vem ao nosso encalço para vergastar nosso bem viver. Embora o caminho trilhado tenha sido o da fuga e ilusão dos próprios atos, resta-nos a advertência do mestre; “reconcilia-te depressa...”

O adversário é um pedaço de nós mesmos que temporariamente se desprende encontrando outra morada. Como um adolescente rebelde nos vê de outro ângulo e retruca até que saiamos da aparente tranquilidade. Tira-nos a nossa paz, mas oferece-nos a paz do Cristo, desde que aceitemos e entendamos o seu propósito. Com a mente aberta, dispomos de novos horizontes a serem conquistados, fruindo ares renovadores e compensatórios.

Desafio é oportunidade para o reequilíbrio.

Reconciliar com o adversário é amar-se a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas. É oferecer uma chance à paz. É aperceber-se da primavera brotando de dentro para fora de nós. É sentir o aroma encantador das flores e frutos nascidos do trabalho permanente de autotransformação. É relaxar e deixar que a vida tome as rédeas dos nossos afazeres. É ter fé e confiar na misericórdia divina. É dançar com os pés lépidos e faceiros ao som inaudível aos padrões rasteiros dos interesses egoísticos.

Saturar-se do que se é, das brigas infundadas e das querelas que não chegam a lugar algum é oferecer-se a novos paradigmas. Reconciliação é dar um basta em seguirmos fragmentados e ausentes do fluxo de ir e vir. É propor novas atitudes e experimentar o hoje ressignificando o ontem e sedimentando o vistoso amanhã. 

 

 "(...) as maldades com que se defronta fazem parte das provas que lhe cumpre suportar e o elevado ponto de vista em que se coloca lhe torna menos amargas as vicissitudes, quer advenham dos homens, quer das coisas. Se não se queixa das provas, tampouco deve queixar-se dos que lhe servem de instrumento. Se, em vez de se queixar, agradece a Deus o experimentá-lo, deve também agradecer a mão que lhe dá ensejo de demonstrar a sua paciência e a sua resignação. 

Esta ideia o dispõe naturalmente ao perdão. Sente, além disso, que quanto mais generoso for, tanto mais se engrandece aos seus próprios olhos e se põe fora do alcance dos dardos do seu inimigo.

 
O homem que no mundo ocupa elevada posição não se julga ofendido com os insultos daquele a quem considera seu inferior. O mesmo se dá com o que, no mundo moral, se eleva acima da humanidade material. Este compreende que o ódio e o rancor o aviltariam e rebaixariam. Ora, para ser superior ao seu adversário, preciso é que tenha a alma maior, mais nobre, mais generosa do que a desse último
 
(O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, capítulo XII.)

  


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