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Os girassóis de Van Gogh: a arte e os estados da alma

September 20, 2020 19:35 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Esquerda 1

Os girassóis de Van Gogh: a arte e os estados da alma

- Brena Silva Ferreira

 

O amor é eterno – a sua manifestação pode modificar-se, mas nunca a sua essência… Através do amor vemos as coisas com mais tranquilidade, e somente com essa tranquilidade um trabalho pode ser bem sucedido.

- Vincent Van Gogh

 

Vincent Willem van Gogh foi um pintor holandês considerado uma das figuras mais famosas e influentes da história da arte ocidental. Produziu mais de dois mil trabalhos em uma década, a maioria durante seus dois últimos anos de vida. Sua profícua criação abrange paisagens, naturezas mortas, retratos e autorretratos notadamente reconhecido por cores dramáticas e vibrantes, além de pinceladas impulsivas e expressivas que contribuíram para as fundações da arte moderna. [1] Van Gogh é um ícone da arte ocidental: poucas pessoas não conhecem algum de seus quadros e muitas já identificam sua autoria ao bater o olho na textura se suas pinturas.

E por que vamos falar dele hoje? Dentro da nossa temática do Setembro Amarelo 2020, “Volta-te para a luz”, a vida e obra do pintor, especialmente sua série de pinturas de girassóis, nos atrai o olhar para a relação entre a arte e os estados da alma.

Esquerda 2

Van Gogh veio de família de classe média alta protestante, tradicional na carreira religiosa e no comércio de artes. Era descrito como sério, quieto e pensativo. Em sua biografia, há o registro de que não foi uma criança feliz... Aos 19 anos, começou a trocar correspondências com seu irmão Théo, o que durou até o fim da existência. Um farto material biográfico, em que Vincent relata suas alegrias e decepções, seu pensamento estético, bem como a evolução de sua saúde psíquica, da qual ele tinha clareza dos problemas, embora não tenha tido muito sucesso ao lidar com eles.

Em 1886 mudou-se para Paris, encontrando-se com artistas que estavam quebrando os paradigmas da época, como Paul Gauguin, que se tornou um grande amigo. Apesar de ter morado em grandes centros urbanos, o pintor sempre viu na natureza campestre, e não na urbe, uma força de motivação artística. Considerava que árvores, plantas e todo o mundo natural o aceitavam muito mais que a sociedade.

Seu estado mental era instável e sofria de episódios psicóticos e alucinações, frequentemente negligenciando sua saúde física. O famoso acontecimento em que cortou a própria orelha foi o ápice de uma briga e fim da amizade com Gauguin, momento que o levou a uma das diversas internações psiquiátricas a que foi submetido. Vincent não guardou memórias do incidente, recebendo o diagnóstico do hospital de "mania aguda com delírio generalizado”. Seu temor que isso se repetisse o levou à piora. Seus diversos autorretratos ao longo da vida são registros indeléveis de sua natureza taciturna, intensa e repleta de altos e baixos, porém com um incrível olhar para reconhecer a beleza em todos os detalhes da criação divina.

Meio 2

Seus famosos girassóis representaram, de fato, um raio luminoso de seu humor expressado na pintura. O girassol tinha um significado especial para Vincent que, em suas próprias palavras, representavam gratidão. Dois quadros da série pintada em Arles foram criados para servirem de decoração para a visita Gauguin, que ficou impressionado. Sobre eles, Vincent disse:

"Estou pintando com o entusiasmo de um marselhês a comer bouillabaisse, o que não lhe surpreenderá por ser este o caso de pintar grandes girassóis ... Se eu executar mesmo esse plano, haverá uma dúzia de telas. O conjunto será então uma sinfonia de azul e amarelo. Eu trabalho nisso todas as manhãs, a partir do nascer do sol. Pois as flores murcham rapidamente e é uma questão de fazer tudo de uma vez"

Todos os girassóis pintados por Van Gogh são diferentes, embora a mesma paleta de cores. E não é assim a diversidade humana da criação de Deus? Almas únicas, luminosas, intensas, que compartilham do princípio divino, mas se expressam de forma singular, sempre com a sua face para o Criador, o sol de nossas vidas. Van Gogh se via representado no girassol, que para ele era uma planta forte, resistente, com a aspereza e falta de polidez do campo, uma beleza pura e selvagem. Assim, expressava suas emoções em cada tela:

“Em vez de tentar apresentar exatamente o que tenho diante dos meus olhos, uso a cor de forma mais arbitrária para me expressar”

“Gostava de pintar de forma a que (…) toda gente conseguisse percebê-lo de olhos fechados”

Pois bem, ele conseguiu. Peço ao caro leitor(a) que, se conhece bem algum dos girassóis de Van Gogh, feche os olhos agora... Não é possível vê-los, senti-los, quase tocá-los?

Vincent adorava o amarelo, que para ele era um símbolo de felicidade. Martin Bailey, autor de um livro dedicado aos girassóis de Van Gogh, acredita que, “se olharmos mesmo para as pinturas, percebemos que eles [os girassóis] estão em diferentes fases: alguns ainda não floriram, uns estão completamente abertos e outros estão já a perder as pétalas e a morrer. Van Gogh está a falar sobre o ciclo da vida. Tudo flore e tudo morre, e depois volta a nascer”.

Direita 2

Van Gogh não obteve fama ou sucesso enquanto encarnado e foi considerado, à época, louco e fracassado. Em 27 de julho de 1890, com 37 anos, desferiu um tiro contra seu peito, quando atravessava um momento de extrema melancolia. Após, voltou andando para casa, onde recebeu cuidados médicos, porém não havia possibilidade de retirar a bala e, por isso, foi cuidado até seu desencarne, trinta hora depois. Neste ínterim, conseguiu se despedir de seu irmão amado, Theo, que foi vê-lo. Suas últimas palavras, ao irmão, foram: "A tristeza vai durar para sempre". Oh! Mal sabia ele, ou mal se lembrava, com o pensamento tão anuviado pela amargura, que não... Não, Vincent, a tristeza nunca dura para sempre! Somos seres imortais fadados inexoravelmente à felicidade!

O reconhecimento artístico veio após o suicídio, o que despertou também o interesse sobre sua vida, tanto pelo senso comum, quanto por estudiosos. Muitos ligam o seu estilo único e genialidade à condição mental, que até hoje suscita debates: depressão? Transtorno Bipolar do humor? Borderline? Não sabemos. Uma agridoce existência, que, apesar de tantos momentos de infelicidade, brindou o mundo com uma beleza incomparável.

O legado de sua vida ultrapassa o artístico: artigos e livros sobre a arte produzida em instituições psiquiátricas, tendo como exemplo sua vida, levaram estudiosos brasileiros como Nise da Silveira a desenvolverem práticas de tratamento humanizado para a pessoa em sofrimento psíquico utilizando a arte. Inovação esta que tem revelado, no Brasil, artistas como Arthur Bispo do Rosário.

O que verdadeiramente fascina na obra de Vincent Van Gogh não são as técnicas de pintura, ou o estudo de cores, ou as pinturas em si, mas toda a sua produção em diálogo com a história do homem que a criou. É impossível separar o homem do artista, a admiração pela obra do sentimento de piedade pela sua história.

A vida e obra de Van Gogh é um exemplo e um alerta. Embora possamos atravessar momentos de intenso sofrimento, o belo e o divino nunca nos abandonam. Como seria reescrita a trajetória deste homem, caso ele tivesse recebido um tratamento médico mais adequado, humanizado e acolhedor? O que pensaria dele a sociedade de hoje, se vivo estivesse? Será que ainda o relegaria ao fracasso, unicamente pela dificuldade financeira? Será que hoje não teríamos (ou deveríamos ter) um olhar mais caridoso para com nossos irmãos que sofrem transtornos de saúde mental?

E a arte? Esse sopro que nos aproxima do divino e que nunca nos abandona... Mas que vive esquecida num cantinho empoeirado, atrás de compromissos, engarrafamentos e caminhos perdidos entre as torres de concreto... O quão mais libertadora ou leve seria a nossa vida, se nos permitíssemos expressar a nossa alma em palavras, sons, pinceladas e tantas outras formas...

Aprendamos com os girassóis de Vincent Van Gogh a nos reconhecermos como a arte manifesta do Amor.

Direita 1

Ninguém atravessa os caminhos humanos isento dos sofrimentos que fazem parte da própria constituição orgânica em face do desgaste a que está sujeita, dos conflitos psicológicos, resultados das vivências passadas, das contaminações que produzem enfermidades, das injunções defluentes da vida na Terra, planeta de provas e de expiações e não paraíso por enquanto. . .

Mulheres e homens valorosos que foram enviados à Terra com limitações e impedimentos quase superlativos, demonstraram a grandeza de que eram portadores, transformando a existência em um hino de alegria, tomando-se missionários do amor e da ciência, da tecnologia, da arte, da fé religiosa, estimulando o progresso e trabalhando em seu benefício.

As provações devem ser abençoadas por aqueles que as experimentam, porque nada acontece que não tenha razões poderosas para a sua ocorrência, e, naquilo que se refere ao sofrimento, é claro que tem ele o papel de educador rigoroso, porém, gentil, indispensável ao crescimento espiritual dos seres humanos.

Abençoa, pois, as tuas provações, e sê feliz em todos os momentos da tua vida.

Joanna de Ângelis
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco,
na manhã do dia 1º de Junho de 2009, em Zurique, Suíça.
Em 21.09.2009.

 

Referências:

[1] Vincent Van Gogh - Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Vincent_van_Gogh

Museu Van Gogh, Amsterdã: <https://www.vangoghmuseum.nl>

Por que Van Gogh se apaixonou pelos girassóis <https://followthecolours.com.br/art-attack/por-que-van-gogh-se-apaixonou-pelos-girassois/>

Os 167 anos de Van Gogh em 6 fatos curiosos sobre o celebre artista <https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/167-anos-de-van-gogh-em-6-fatos-curiosos-sobre-celebre-artista.phtml>

Você já viu o filme do Van Gogh? Então vamos falar sobre saúde mental <https://latinmed.com.br/filme-do-van-gogh-falar-sobre-saude-mental/>

130 anos depois, porque é que continuamos fascinados com os girassóis de van Gogh? <https://observador.pt/2019/07/28/130-anos-depois-porque-e-que-continuamos-fascinados-com-os-girassois-de-van-gogh/>


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