Go to the content
Colabore com a casa
or

 Go back to Temas Doutri...
Full screen Suggest an article

Pensar corona e as Leis Morais

March 26, 2020 15:09 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
Viewed 56 times

Imagens artigos site

 

PENSAR CORONA E AS LEIS MORAIS

(Uósnei Moncorvo)

 

Sempre tivemos um temor quase que premonitório de devastações globais que nos dizimassem enquanto espécie! 

Que o diga a constante produção global de filmes e séries sobre ameaças zumbis, epidemias, holocaustos nucleares, etc.

Talvez uma “referência” de pavor, surgido das declarações proféticas em livros considerados sagrados, como a Bíblia. Ou a atemorizante perspectiva de um ‘final dos tempos’ e ‘fim de mundo’, nos servisse de pano de fundo para montar o palco desse ato teatral apavorante (ainda que questionemos o sentido de ‘tempos’ e de ‘mundo’ nessas condições).

Diante dos fatos, o que pensar?

Estamos em quarentena preventiva, que tem como principal objetivo deter a velocidade de propagação da pandemia. 

Uma revolução com força para mudar hábitos, alterar padrões culturais, não apenas das comunidades, mas dos povos, das nações, da espécie!

Inicialmente não vou me deter aos aspectos desastrosos, apavorantes numa repetição mórbida, desnecessária. Estes a mídia descomprometida, as redes sociais, as fake News podem tratar.

Apelo a sua ponderação para outro gênero de aspectos.

O mundo envelhecia! E nós fugíamos da velhice, desvalorizando-a. Agora precisamos protegê-la para preservar nossos laços de afeto, se considerarmos a proximidade física apenas – pois a vida do corpo não acaba com a existência. Além disso, para preservar a manutenção de nossa conexão afetiva, de nossa história familiar e das nossas vidas indiretamente.

As relações humanas se distanciavam, tornavam-se frias, inclusive por conta da conectividade. Agora somos levados, pela ausência do contato em medidas preventivas, a valorizar o afeto, ressignificar suas demonstrações, inclusive no tempo de atenção dedicada diariamente. 

A etiqueta social era desprezada ou desvirtuada, em razão da velocidade, da pressa nossa de cada dia e dos compromissos. Agora somos levados a ponderar a etiqueta de gestos como tosse e espirros.

Nossos governantes foram eleitos para exercer liderança ponderada e inteligente, o que em muitos casos frequentemente não faziam, assim como para pensar o coletivo - todas as expressões da coletividade. São agora obrigados a reflexionar e implementar medidas em benefício dessa coletividade, em todos os setores e camadas, haja vista as medidas para lidar com a população carcerária. Inclusive a distribuir recursos de forma equitativa para garantir a sobrevivência das populações mais ameaçadas e desprovidas de forma geral.

As nações são obrigadas a rever circulação e as fronteiras, a conduzir, num outro formato, as migrações e emigrações de grupos e indivíduos, e falamos aqui principalmente dos países que não o faziam. 

Os recursos naturais são provisionados, distribuídos, num outro formato de relação comercial, até mesmo com seu custo reduzido diante da falta, ou da ganância que tenta manipular preços.

Os resistentes as relações informatizadas, sinal de progresso, são obrigados a rever, e utilizar teleconferências, vídeo chamadas, operações de débito para evitar manuseio de notas contaminadas.

São tempos de educação das massas. De revisão de propósitos. De ressignificação do valor da vida.

Somos convocados a uma relação significativa com Deus, usando um recurso natural,  já que é da natureza humana esta conexão (Lei de Adoração). Isso de forma íntima e particular, não podendo congregar em templos com multidões.

A atividade profissional, sua remuneração, execução, localização, com qual propósito, é refletida, remodelada, convertida em uma nova prática (Lei de Trabalho). Ganha também outro sentido além da sobrevivência financeira, com a relevância que tem para outros. A exemplo das atividades dos profissionais de saúde.

As relações afetivas, as vezes vertidas em níveis de promiscuidade e despreocupação, são alteradas, restritas, tornadas seletivas, por conta da veiculação direta de contaminação através do contato (Lei de Reprodução).

O instinto de preservação à vida, de cuidado com esta dádiva de profundo significado é redesenhado em outra forma de cuidado consigo e com os outros (Lei de Conservação).

A fragilidade da vida do corpo, diante de um inimigo microscópico e letal, é profundamente sentida, pensada, discutida, em face a confrontação com tantas mortes. Também surge a preocupação com tantas figuras afetivamente importantes e mundialmente impactantes que fazem parte do grupo de risco em razão de pertencerem ao grupo da longevidade – muitos líderes mundiais e religiosos são idosos, nossos pais e mães encarnados também! (Lei de Destruição).

As saídas constituídas precisam ser coletivas, não adianta ser individualista, preocupar-se apenas consigo e não estender o olhar e as ações para o outro – conclamação à Lei de Sociedade.

A humanidade enquanto espécie é desafiada a encontrar saídas, estratégicas, administrativas, curativas, na forma de tratamentos, operacionalização de recursos e medidas, medicamentos e vacinas (Lei do Progresso).

Todos são impactados pelo processo, independentemente de suas posições sociais, de seu nível intelectual, e mesmo as vítimas mais frágeis distintas pela idade do corpo, ainda assim estão implicadas na grande teia humana – confrontadas com a Lei de Igualdade.

Somos convidados ao entendimento de que somos verdadeiramente livres na escolha e realização de nossos atos, mas impedidos de escapar das consequências deles, pelas quais somos responsáveis – não vítimas. O que fazemos afeta-nos e aos outros, profunda e inexoravelmente – seja a estocagem indiscriminada de máscaras, álcool, papel toalha ou higiênico; seja a desconsideração de medidas de etiqueta respiratória; seja a destinação de lixo doméstico, seja a simples consideração pelo outro, tão humano quanto nós. Vulnerável, e merecedor de vida tanto quanto qualquer um. Nossa liberdade limita-se ao direito que o outro tem de exercer a sua (Lei de Liberdade). Temos capacidade e direito de fazer escolhas, consciência de como fazê-las, resultados para recolher das mesmas.

Há razões desconhecidas para os acontecimentos, um sentido maior, mediante a justiça divina, presente, concreta, existente. Há entretanto um apelo ao amor e à caridade, ao ato de se irmanar como espécie humana. Sustentada pelo fruto do esforço de todos (Lei de justiça, amor e caridade). 

Propomos através desse texto - o início de uma série - reflexões mais profundas sobre o sentido dos acontecimentos e de nossas ações diante deles. Encerramos com a lembrança dum quase enigmático poema de Drummond, NO MEIO DO CAMINHO, pois há um caminho, há um meio, há uma pedra:

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas fatigadas

nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra(...)

 

          "766. A vida social é natural?

       — Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente ao homem a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.

O isolamento absoluto é contrário a lei natural?

       — Sim, pois os homens buscam a sociedade por instinto e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente.

O homem, ao buscar a sociedade, obedece apenas a um sentimento pessoal ou há também nesse sentimento uma finalidade providencial, de ordem geral?

       — O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer não possui todas as faculdades; precisa do contato dos outros homens. No isolamento ele se embrutece e se estiola.

Comentário de Kardec: Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem o seu próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados." (O Livro dos Espíritos/Allan Kardec)


0no comments yet

Post a comment

* field is mandatory

If you are a registered user, you can login and be automatically recognized.