Go to the content
Colabore com a casa
or

 Go back to Temas Doutri...
Full screen Suggest an article

Que em 2020, possamos recortar nossas arestas

February 5, 2020 17:18 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
Viewed 146 times

Recortar arestas

Que em 2020, possamos recortar nossas arestas!

 

E não pode haver maior conquista que a conquista própria.

Paciência Não se Perde.  (Vinícius/Em Torno do Mestre, 2ª edição)

 

RECORTAR ARESTAS

 

Vinicius (Pedro Camargo), autor da frase acima, foi um educador e divulgador da doutrina espírita. Produziu uma expressiva obra em forma de mensagens e reflexões, principalmente em torno de conteúdos do Evangelho. Em algumas de suas mensagens, utilizava com certa frequência a palavra ‘porfia’ que significa, segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa: disputa ou contenda pertinaz de palavras; perseverança, afinco, constância, pertinácia; obstinação, teima. 

Mesmo em desuso, ‘porfia’ é um excelente termo para ser utilizado sobre a persistência e esforços necessários para conseguir a concretização de um objetivo.

Atingir objetivos envolve, desejo, vontade, direcionamento, disciplina e foco, entre outras coisas. E precisamos admitir que mudar hábitos é um enorme trabalho, persistente em qualquer que seja a dimensão. Só ocorre se estiver na consciência, de forma lúcida.

A nossa tendência é imaginar que os estímulos à mudança virão de fora. Mas é o indivíduo, o maior responsável, senão o único, pelas suas conquistas, através da perseverança enérgica, da porfia, por assim dizer. Outros apenas auxiliam. 

Vejamos a questão 100 do Livro dos Espíritos: 

“A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram.” 

Consideremos: o ser humano possui aquisições, conquistas, obtidas pelo trabalho, pela experiência de viver através das diversas encarnações. Estas aquisições são os germens despertos das suas capacidades. Possui imperfeições, substratos comportamentais, frutos das más escolhas anteriores e da exacerbação dos instintos e descontrole das paixões. Esse conjunto o situa nos diferentes graus de desenvolvimento moral e, portanto, nas diferentes classes espirituais de evolução, como consequência em sua relação consigo, e com a felicidade.

As qualidades ou virtudes que levam alguém a conseguir efetivamente suas realizações podem ser entendidas, como verdadeiras riquezas, tesouros da alma, cuja posse não pode ser tomada por roubo ou pilhagem, que não envelhecem ou desgastam-se, pois são conquistas interiores. Tratam-se dos tesouros no céu e o reino que vem a nós (Mateus cap. 6 versos 20 e 10 respectivamente ).

“... todas as vicissitudes, todas as lutas, todos os sofrimentos, em suma, contribuem para incentivar o desenvolvimento das possibilidades anímicas.”*

As possibilidades anímicas (da alma) são as capacidades ocultas, desconhecidas, existentes na própria alma, que afloram diante do enfrentamento das situações vividas, porque são residentes no Espírito Eterno.** 

Tesouros ocultos nas camadas profundas do Ser, da inteligência que comanda o corpo, o Espírito. São como as pedras preciosas nas profundezas do solo. É o interior do psiquismo humano, sua sombra, que só pode ser assim chamada porque é uma região momentaneamente desconhecida, onde a luz da consciência ainda não incidiu. 

As possibilidades anímicas são qualidades e virtudes, as aquisições da consciência. São o produto da percepção, do olhar atento para o nosso íntimo. Seu reconhecimento é o resultado do processo de autodescobrimento.  Santo Agostinho responde a Kardec sobre este processo:

Questão 919-a) “... a dificuldade está precisamente em conhecer-se a si próprio. Qual o meio de se chegar a isso? R.: (...) interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava a mim mesmo se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria tido motivo para se queixar de mim. (...)” Livro dos Espíritos.

A consciência, ou a instância de obtenção de lucidez sobre si mesmo, se dá quando nos detemos, interrogamos as causas, as justificativas de nossos comportamentos; quando recapitulamos entre os conteúdos de nossa memória, avaliando nossas ações. Em outras palavras: quando pensamos sobre nossos impulsivos atos. 

Quando tomamos por referência a forma que agimos com os outros e como interagem conosco, obtemos valiosas informações. Assim também ocorre, quando observamos suas justificativas para que em alguma situação tomem como prejuízo, como erro, algo que nós fizemos. O que o outro toma como um mal feito nosso, ainda que não seja esta a nossa intenção, também informa algo sobre nós! O outro age como espelho de conteúdos meus, no trato que ele tem comigo. 

“Assim, pois, quer o espírito goze os salutares efeitos da prática do bem e da conduta reta; quer suporte as amargas consequências do mal cometido, da negligência no cumprimento do dever, da corrupção a que se entregue, ele estará educando-se, e, portanto, evolvendo.”*

Nosso passado determina o cenário das nossas atuais experiências e é o produto de nossas escolhas. Nossa responsabilização em forma de colheita. Qualquer que seja a natureza, eles resultam em aprendizado. Os nossos comportamentos atuais escrevem o trecho seguinte do nosso caminho - o futuro percurso.

Tudo converge para um processo educacional, que a experiência e o tempo promovem no ser. Cabe a este, encurtar ou alongar a consolidação deste processo através do tempo.

É a debilidade moral, que fragiliza o reconhecimento e a crença em si mesmo e em nossa capacidade de realização. Essa debilidade tende a negar as consequências das nossas escolhas, da nossa livre escolha – e a não responsabilização pelos nossos atos. 

A aquisição e consolidação de valores duradouros amplia a perspectiva, eleva as considerações sobre o futuro, possibilita esperança e gera sentido existencial.

E qual o maior valor a considerar que a perpetuidade, a continuação da existência? A sobrevivência do espírito, independente da preservação ou permanência do corpo?

Tudo passa. As coisas, as posses, o corpo. O que tem a aparência de subjetivo, de abstrato, ou mesmo de artigo de fé - o espírito e o mundo invisível que nos cerca, são permanentes. Esse entendimento pode regular as escolhas e vincular o indivíduo a verdadeiras e permanentes realizações.

Vivemos dias em que os abalos psíquicos são frequentes, mas possuímos o amparo espiritual de muitos. Logo:

“Pelo amor e pela dor, sob a doçura da graça, ou sob a inflexibilidade da lei – (o espírito) caminhará, sempre, em demanda dos altos destinos que lhe estão reservados.”* O grifo é nosso.

 

Uósnei Moncorvo

*Trechos da fala do Mestre, na mensagem ‘O Mestre e o Discípulo, de Vinícius, 2ª edição, do livro Em Torno do Mestre.

Sugerimos a leitura do livro Alquimia da Mente, de Hermínio de Miranda

 

0no comments yet

Post a comment

* field is mandatory

If you are a registered user, you can login and be automatically recognized.