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REFLEXÕES SOBRE A PANDEMIA

May 20, 2020 18:59 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Pensar coronaviru

 

REFLEXÕES SOBRE A PANDEMIA

Pensar corona (parte 2): Leis do Trabalho, Adoração e Reprodução

                                                      (Uosnei Moncorvo)

 

Dando sequência à série proposta de textos que nos levem a reflexões mais profundas sobre a pandemia do COVID-19, proponho pensarmos se há conexão desta questão com as Leis Morais, trabalhadas por Kardec na terceira parte de ‘O Livro dos Espíritos’.

Na questão 614, os espíritos abordam em resposta à Kardec a existência de uma Lei Natural. Há uma instância gestora, instituída pela Inteligência Suprema, que age a partir da natureza – a lei. A fé raciocinada, associada ao conhecimento nos leva a compreensão de que há uma rede de parâmetros que regem, organizam e administram os acontecimentos no universo. Fomos nós, humanos, que construímos o conceito da aleatoriedade e acaso, no que diz respeito à vida e a natureza.

Compreende-se portanto, que grandes e impactantes acontecimentos, ainda que aparentemente injustificados, tem uma função.

Acrescentemos a isso a concepção da imortalidade e das vidas sucessivas através da reencarnação, e nos perderíamos na teia das razões individuais para os resgates em andamento.

Essa lei natural, serve de fio condutor para os seres humanos, partindo de uma tendência ao exercício da consciência, conquista evolutiva, onde se abriga a Lei Divina. A Lei Natural, portanto, desdobraria-se nas Leis Morais. 

Não sabemos de maneira conclusiva se o caso da pandemia foi consequência direta do uso equivocado dos recursos naturais pelo homem, mas o raciocínio sobre o processo adaptativo se aplica. 

Consideremos inicialmente a Lei do Trabalho. 

Na questão 677, nas considerações sobre a Lei do Trabalho, os espíritos respondem que como forma de condução ao progresso, para conservar o corpo e desenvolver a inteligência, o trabalho é uma necessidade. O trabalho da ciência, das nações e dos seus líderes precisa se desenvolver para o bem estar da coletividade humana, indo além dos interesses individuais. 

As ações relacionadas a pandemia, constituem-se palco de instalação para esses novos padrões de comportamento se consolidarem.

Uma das grandes preocupações em meio a pandemia diz respeito ao funcionamento dos sistemas econômicos, assim como as relações de emprego e consumo. Incluídas nestas preocupações estão o desabastecimento e a fome nas classes trabalhadoras, em especial as informais. Em seu comentário a questão 685, diz-nos Kardec: 

“A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo. Mas esse equilíbrio, supondo que seja possível, tem sempre intermitências, e durante esses intervalos o trabalhador não deixa de viver”.

Trata-se da constatação dos períodos de crise, assim como da presença de atores sociais que busquem as soluções para estas. Mas em seguida exaltando o caminho para gerenciá-las, continua:

“Há um elemento sobre o qual não se ponderou o bastante e, sem ele, a ciência econômica não passa de uma teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a educação moral, e não a educação moral através de livros, mas a que consiste na arte de formar caracteres, a que forma hábitos: pois a educação é o conjunto de hábitos adquiridos”.

O codificador trata aqui, da questão sobre a transformação individual humana que traduz-se em uma revisão das ações pessoais e de suas consequências e responsabilização destas no trato com os outros.

Aqui ampliamos: este processo educacional moral envolve aplicação e distribuição de recursos, destituindo de seu lugar o egoísmo. Envolve o desenvolvimento de um senso de coletividade e de amor ao próximo como a si mesmo, preconizado por Jesus no Evangelho. Ampliação da compreensão das implicações sobre todos das ações de cada um.

Em termos práticos, os que tem mais, precisam adotar a consciência de que podem auxiliar os que tem menos ou não possuem nada. As instituições governamentais precisam sim, mobilizar os recursos da arrecadação de todos em benefício das necessidades das camadas menos favorecidas.

Agora consideremos a Lei de Adoração.  

Eventos catastróficos resultam também, em sua grande maioria, num processo de reconexão espiritual. 

Entre as Leis Morais, a adoração enquanto concepção organizada de culto pessoal a Deus também é uma lei natural.

Nas questões 658 a 666, Kardec trata com os espíritos de um elemento deste processo de adoração, a prece. 

Na questão 663, os espíritos analisam, a mudança de perspectiva, em que a prece nos coloca, quando estamos sob a vivência de dificuldades – pois ao realizá-la percebemos as provações como “menos rudes”. Também nos é esclarecido, que nossa falta de compreensão das causas é o fator agravante do nosso sofrimento, sendo necessária a conexão pessoal para acatarmos a necessidade do bem maior na Ordem Geral do Universo. E ainda, que espíritos protetores, elevados, nos assistem sob o comando divino nestas ocasiões de prece, para que sejamos fortalecidos e toleremos a presença da dificuldade.

O que dizer sobre a Lei de Reprodução?

As gerações corporais se sucedem (questões 686 a 892), a raça humana se aperfeiçoa, a população do globo, encarnada e desencarnada, troca de lados, submetida a grande lei da vida. Os corpos materiais cumprem sua função, e impreterivelmente morrem, por alguma causa. 

Portanto, é necessário ter um olhar para a imortalidade da alma e compreender que o corpo físico perece quando cumpre seu ciclo e o Espírito continua a sua jornada rumo à felicidade plena em outra dimensão, uma vez que somos eternos. 

Empreendemos neste segundo texto, parte da análise da série proposta, através de considerações a respeito das Leis de Adoração, Trabalho e Reprodução.

 

 

661.  Poderemos utilmente pedir a Deus que perdoe as nossas faltas?

“Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que a Deus pede perdão de suas faltas só o obtém mudando de proceder. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais que as palavras.”

662. Pode-se, com utilidade, orar por outrem?

“O Espírito de quem ora atua pela sua vontade de praticar o bem. Atrai a si, mediante a prece, os Espíritos bons e estes se associam ao bem que deseje fazer.”

O pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A prece que façamos por outrem é um ato dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar, em auxílio daquele por quem oramos, os Espíritos bons, que lhe virão sugerir bons pensamentos e dar a força de que necessitem seu corpo e sua alma. Mas, ainda aqui, a prece do coração é tudo, a dos lábios nada vale

(O Livro dos Espíritos/Allan Kardec).


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