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Santo Agostinho e a Doutrina Espírita

August 18, 2020 11:07 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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AGOSTINHO DE HIPONA - Santo Agostinho - E SUA RELAÇÃO COM O ESPIRITISMO

 

“No interior de todo homem existe Deus”

Em 28 de agosto de 430 D.C. em Hipona, Annaba, Argélia, deixa o plano físico para retornar ao mundo incorpóreo, Agostinho de Hipona, conhecido por muitos como Santo Agostinho. Essa é a data que, para a Igreja Católica e Anglicana, celebra-se o dia do padroeiro dos teólogos.

A relação desse filósofo com a Doutrina Espírita pode ser maior do que alguns imaginam. Por isso, vale à pena conhecê-lo um pouco mais.

Em 13 de novembro de 354 D.C, em Tagaste, antiga cidade de Numídia, norte de África, nasce Aurelius Agustinus Hipponensu, mais tarde conhecido como Agostinho de Hipona. Filho de Mônica de Hipon, devota cristã que exerceu grande influência na conversão do filho e do esposo, e de Patricius Aurelius, que era pagão.

Agostinho teve uma juventude conturbada. Com 17 anos foi para Catargo estudar Retórica. Lá, embora tenha concebido formação Cristã de sua mãe, passou a seguir a doutrina maniqueísta (que enxerga no mundo apenas duas forças iguais e opostas: o bem e o mal), negada veementemente pelos cristãos. Além disso, tornou-se hedonista, ou seja, seguidor da filosofia que tem o prazer como fim absoluto da vida.

Dois anos depois, passou a viver com uma mulher cartaginense, com a qual teve um filho chamado Adeodato. O relacionamento dos dois durou treze anos.

Santo Agostinho passou 33 anos em conflito com as ideias do bem e do mal tentando encontrar Deus. Graças também à perseverança da sua mãe, que durante 21 anos, dedicou parte da sua vida concentrando suas orações e ações no ano 386, seu filho converteu-se em Cristão. Ele dizia que sua mãe o havia gerado duas vezes. A primeira na carne para a luz temporal e a segunda no coração para luz eterna.

Finalmente, em meio aos seus excessos, Agostinho sentiu em sua alma uma vibração estranha que o chamava para si mesmo, e lhe fez compreender que a felicidade estava alhures e não nos prazeres enervantes e fugidios.

Quando, enfim, sobre ‘sua estrada de Damasco’ também ouviu a voz santa lhe exclamar: Saulo, Saulo por que me persegues? Ele exclamou: Meu Deus! Meus Deus! Perdoai-me, eu creio, eu sou cristão! Depois então, tornou-se um dos mais firmes sustentáculos do evangelho.

 

Que é Deus para Agostinho de Hipona?

É a causa do ser das coisas, porque é o ser por essência. Comumente se diz que Santo Agostinho ‘Cristianizou’ Platão e Aristóteles.

Defendia a predestinação, conceito teológico que a vida de todas as pessoas é traçada anteriormente por Deus. As obras de Santo Agostinho influenciaram muito o pensamento teológico da Igreja Católica na Idade Média.

Deus é o criador de tudo que existe no tempo, mas ele é criador também do tempo. Deus está fora do tempo, pois é eterno. Em Deus não existe passado ou futuro, ele é imutável e um ser imutável como Deus vive um eterno presente.

Agostinho foi bispo na cidade africana de Hipona (na antiga Argélia) e também um dos maiores filósofos e teólogos de todos os tempos.

 

Qual a filosofia proposta por Agostinho de Hipona?

“É preciso compreender para crer e crer para compreender”.

Para ele a fé é a percepção de ter sido tocado de alguma forma por Deus. Essa percepção além de mudar a forma de pensar muda também a forma de viver. Mas a fé não se coloca no lugar da inteligência, a fé incentiva a inteligência, o pensamento é também condição para que exista a fé. O conhecimento também não elimina a fé, esta se torna mais forte através da inteligência.

Revoluciona o Cristianismo buscando sua base, e escreve 232 livros compilados em diversas obras, entre as quais: ‘As Confissões’ que constituem uma autobiografia, na qual relata a sua vida antes de se tornar Cristão e sua conversão.

Comentando sua própria obra, Santo Agostinho diz que a palavra confissões, mais que confessar pecados, significa adorar a Deus.

Sua outra grande obra, A Cidade de Deus, descreve o mundo dividido entre o dos homens (mundo terreno) e o dos céus (mundo espiritual).

Nessa obra, Santo Agostinho afirma que a cidade humana era essencialmente imperfeita, e aqueles que vivessem em conformidade com o preceito Cristão, após a morte, habitariam a cidade de Deus, onde tudo era justo.

Carlos Magno (primeiro imperador Sacro do império Romano) foi responsável pela ponte cultural das obras de Santo Agostinho com a escolástica (método ocidental de pensamento crítico e de aprendizado com origem nas escolas monásticas cristãs, que concilia a fé cristã com um sistema de pensamento racional). Se não fosse essa ponte dificilmente haveria o avanço intelectual que resultou no Iluminismo e a França pôde, então, receber a Doutrina Espírita.

 

A sua relação com a Doutrina Espírita

Em muitos dos seus relatos, já existiam fundamentos da Doutrina Espírita: imortalidade da alma, existências de outros mundos, outros corpos, a necessidade do autoconhecimento, entre outros. Dizia que se Deus achasse conveniente os homens se comunicarem com os mortos, ele faria. Também na sua obra As Confissões, depois de ter perdido sua mãe afirmou que: “Eu estou persuadido de que minha mãe voltará a me visitar e me dar conselhos revelando-me o que nos espera na vida futura”.

Ele já buscava, naquela época, exercitar as mais profundas meditações procurando conhecer a si mesmo.

Já no plano espiritual, participa da construção do Espiritismo desde os prolegômenos de O Livro dos Espíritos, junto com São João Evangelista, São Vicente de Paulo, São Luís, o Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, entre outros. Há colocações, pensamentos e orientações de Santo Agostinho em todo o Pentateuco Espírita bem como em na Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos.

Citamos, abaixo, vários temas de O Livro dos Espíritos e de O Evangelho Segundo o Espiritismo que tiveram sua participação:

O Livro dos Espíritos:

  • Prolegômenos;
  • Anjos Guardiões, espíritos protetores, familiares ou simpáticos;
  • Conhecimento de si mesmo;
  • Conclusão.

O Evangelho Segundo o Espiritismo:

  • Mundos Regenerados;
  • Progressão dos mundos;
  • O mal e o remédio;
  • O Duelo;
  • A ingratidão dos filhos e os laços de família;
  • Alegria da Prece.

Não poderíamos finalizar esse singelo relato sobre a grandiosa vida de Agostinho de Hipona, sem citar a sua resposta a Allan Kardec, numerada como 919 do Livro dos Espíritos:

 

919 - Qual é o meio prático e mais eficaz para melhorar nesta vida, e resistir aos arrastamentos do mal?

R: - Um sábio da antiguidade nos disse: Conhece-te a ti mesmo.

- Compreendemos toda a sabedoria dessa máxima, porém, a dificuldade está precisamente em se conhecer a si mesmo; qual é o meio de o conseguir?

- Fazei o que eu fazia da minha vida sobre a Terra: ao fim da jornada, eu interrogava minha consciência, passava em revista o que fizera, e me perguntava se não faltara algum dever, se ninguém tinha nada a se lamentar de mim. Aquele que cada noite lembrasse todas as ações da jornada e perguntasse o que fez de bem ou de mal, pedindo a Deus e ao anjo Guardião para esclarecer, adquiriria uma grande força para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Questionai, portanto, e perguntai-vos o que fizestes e com o qual objetivo agistes em tal circunstância; se fizestes alguma coisa que censurais em outrem; se fizeste uma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai-vos ainda isto: se aprouvesse a Deus que me chamar neste momento, reentrando no mundo dos espíritos, onde nada é oculto, eu teria o que temer diante de alguém? Examinai o que podeis ter feito contra Deus, contra o vosso próximo, e enfim, contra vós mesmos. As respostas serão um repouso para vossa consciência ou a indicação de um mal que é preciso curar.

O conhecimento de si mesmo, portanto, é a chave do progresso individual. Mas, direis, como se julgar? Não se tem a ilusão de amor-próprio que ameniza as faltas e as desculpas? O avarento se crê não haver senão a dignidade. Isso é verdade, mas tendes um meio de controle que não pode vos enganar. Quando tiverdes indecisos sobre o valor de uma das vossas ações, perguntai-vos como a qualificaríeis se fosse feito por outra pessoa; se a censurais em outrem, ela não poderia ser mais legítima em vós, porque Deus não tem duas medidas para a justiça. Procurai saber, também, o que pensam os outros a respeito, e não negligencieis a opinião dos vossos inimigos, porque estes não têm nenhum interesse em dissimular a verdade e, frequentemente, Deus os coloca ao vosso lado como um espelho para vos advertir com mais franqueza que o faria um amigo. Que aquele que tem vontade séria de se melhorar explore, pois, sua consciência, a fim de arrancar dela as más tendências, como arranca as más ervas do seu jardim; que faça o balanço da sua jornada moral, como o mercador faz suas perdas e lucros, e eu vos asseguro que a um lhe resultará mais que a outro. Se ele puder dizer que sua jornada foi boa, pode dormir em paz, e esperar sem receio o despertar de uma outra vida.

 

REFERÊNCIAS:


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