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SILÊNCIO: POR QUE EXERCITAR?

November 2, 2019 2:21 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Silencio

SOBRE AQUIETAR E SENTIR

Velocidade, tumulto, burburinho, essa é a linguagem presente na sociedade e na cultura mundial, e nosso país não escapa a essa tendência.

Nossos sentidos são captados através da estimulação máxima e simultânea. Cores, movimentos, ruído e barulho como manifestação de som. Quantas vezes você está no modo pluriatenção ou multitarefas?

Inseridos nesse contexto, torna-se muito complexo que a nossa atenção possa focar-se. Ela é pulverizada, distribuída, difusa. Nossa mente está em contínuo, ininterrupto movimento, em diversas direções. Reproduzimos em nosso interior, o que vivenciamos ao nosso redor.

 “Em tentativa de atender a todas as excentricidades do vozerio do mundo, a mente desloca-se da meta essencial e perde o foco que lhe constitui o objetivo fundamental,” conforme nos orienta Joanna de Ângelis.

O mesmo acontece com o nosso discurso, a nossa produção de fala. Às vezes, os nossos diálogos são monólogos. Só nós falamos!

Silenciar e ouvir os outros e o nosso íntimo, não é um hábito, e por vezes,  constitui-se tremendo desafio.

Mesmo em ambientes onde se esperaria que, por convenção, o silêncio exterior fosse adotado para a promoção do silencio interior, isso, com frequência, não acontece.

Já esteve em um hospital, por um período de internação? Numa sala de cirurgia antes de ser anestesiado? Ou em um velório, em um cemitério? Ou mesmo em um templo religioso, uma igreja ou um centro espírita? Reconhece nesses espaços a presença literal do silêncio?

Talvez isso ocorra em momentos específicos de tensão, de manifestação emocional, ou em alguns desses ambientes, quando se presencia um sermão, um discurso, ou uma palestra. Mas nem sempre. Quantas vezes lhe chamaram a atenção, cochichos, comentários em voz nitidamente audível, ou mesmo o indiscreto celular? Mesmo quando no modo de vibração, que podemos quase chamar de tremedeira alucinada!

De fato, não silenciamos. Não ouvimos. Não escutamos. Estados bastante distintos. Nem voltamos nossa atenção para dentro com frequência. Não estamos acostumados.

Mas somos feitos de “silêncio e som” (Certas Coisas, Lulu Santos).

Ou como dizia o Eclesiastes bíblico: "Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu" (Eclesiastes 3:1), inclusive para falar e calar.

O barulho interno, e o ruído incessante produzido pela fala, pela conversa, podem se constituir em fuga. Em evitação do contato íntimo e do desenvolvimento da relação consigo mesmo. É o que podemos concluir quando isto se torna um modo de operação, maneira costumeira de funcionamento.

Em uma mensagem taoísta intitulada ‘A Sabedoria do Silêncio Interno’*, a fala desnecessária e impensada é citada como um desperdício de nossa energia pessoal, o nosso ‘Chi’. E o esforço em falar apenas após pensar e com um propósito, produz o resultado em nós, da administração da nossa própria energia. As palavras projetam imagens, que reproduzem realidade ao nosso redor, acrescenta a mensagem.

Na tradução do evangelho de João por Haroldo Dutra, em notas sobre o capítulo um, versículo um, onde se chama atenção para o Verbo de Deus, a sua palavra, fica bem claro que a fala cria, que ela organiza e dá forma, que ela produz vida.

Somos co-criadores de formas, em pequena escala, resultantes da energia do pensamento organizada através da palavra. E preenchemos os aparentes vazios do ambiente ao nosso redor dessa maneira!

Só isso já provoca grandes reflexões sobre a fala e o silêncio.

Mas então e o silêncio? Qual sua função?

Deus necessita do silêncio humano, a fim de fazer-se ouvido por quem deseje manter contato com a Sua Paternidade.” Diz-nos Joanna de Angelis.

Apropriar-se do silêncio produz uma escuta de profundidade, desenhando o contorno de nossa conexão com a filiação divina. O silêncio nos permite ouvir Deus em nós.

“Mesmo Jesus, após atender as multidões que se sucediam esfaimadas de pão, de paz, de luz, buscava o refúgio da solidão para, em silêncio, poder ouvi-lO no santuário íntimo.” E ainda: “Nestes dias agitados, faz-se necessário que se busque o silêncio para renovar-se as paisagens íntimas e ouvi-lO atentamente, pacificando-se,” continua a Mentora.

E na casa espírita? Para que o silêncio?

Antes de responder a estas perguntas, precisamos levantar outra: qual o seu propósito em ir a casa espírita?

A instituição espírita é um espaço educativo, onde recebemos o incentivo ao aprimoramento, a melhoria pessoal, a compreensão dos problemas e propósitos da vida. Nela também encontramos a possibilidade de restabelecimento da saúde espiritual, e por vezes, psíquica e física. Para tudo isso é montada uma delicada estrutura administrativa e curativa, nos planos físico e espiritual. Delicada, ao ponto de recolher as impressões energéticas que produzimos, com os pensamentos e com a fala, cooperando ou interferindo na eficácia das atividades ali realizadas.

É claro que além de escola-educandário, hospital-pronto socorro, a instituição é também oficina de trabalho, onde recolhemos inclusive a afeição de familiares e amigos nas relações humanas ali desenvolvidas. Revemos as pessoas queridas. Confraternizamos. E para isso há momentos e por vezes espaços específicos para nos sentirmos à vontade o suficiente para uma boa conversação.

Entretanto, não deixemos que o propósito saneador e curativo direcionado ao nosso íntimo se perca, quando da nossa presença nesse espaço!

Repense, reveja, consulte, ouça, através dos apontamentos que lhe cheguem a intuição, quando estiver presente à instituição espírita. Ore, conecte-se! Diz-nos ainda Joanna: “Não temas a viagem interior, o encontro contigo mesmo, nas regiões profundas dos arcanos espirituais”.

Partindo desse exercício poderemos com maior sensibilidade perceber, os sons da natureza, o canto dos pássaros, o arco entre as nuvens depois da chuva, a beleza no som do sorriso das crianças. Com maior sutileza notaremos o brilho no olhar das pessoas. Você abraçará, sentindo o coração do outro. Habituará a mente a novo ritmo. Sentirá nas dobras secretas de seu coração a presença dos amigos espirituais, pois não mais estará de forma predominante, cheio de ruídos, barulhos, prevenções e falas.

Não estamos falando aqui do silêncio sepulcral ou ritualístico das ordens religiosas, como o retratado no filme O Grande Silêncio do cineasta alemão, Philip Gronin (2007) que pela própria condição imposta do silêncio, foi produzido após quase duas décadas de filmagens.

A modalidade de silêncio da qual tratamos conduz à reverência construída pelo hábito, manifesta no trecho que se segue do Poema da Gratidão, da obra Sol da Esperança, por Amélia Rodrigues:

“Senhor, muito obrigado, pelo que me deste, pelo que me dás!
pelo ar, pelo pão, pela paz!
Muito obrigado, pela beleza que meus olhos vêem no altar da natureza.
Olhos que contemplam o céu cor de anil, e se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil!
Pela minha faculdade de ver, pelos cegos eu quero interceder, por aqueles que vivem na escuridão e tropeçam na multidão, por eles eu oro e a Ti imploro comiseração, pois eu sei que depois dessa lida, numa outra vida, eles enxergarão!
Senhor, muito obrigado pelos ouvidos meus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro, a dor e as lágrimas que escorrem no rosto do mundo inteiro.
Ouvidos que ouvem a música do povo, que desce do morro na praça a cantar.
A melodia dos imortais que a gente ouve uma vez e não se esquece nunca mais.
Diante de minha capacidade de ouvir,
pelos surdos eu te quero pedir, pois eu sei, que depois desta dor, no teu reino de amor, eles voltarão a ouvir!
Muito obrigado Senhor, pela minha voz!
Mas também pela voz que canta, que ensina, que consola.
Pela voz que com emoção, profere uma sentida oração!
Pela minha capacidade de falar, pelos mudos eu Te quero rogar, pois eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também cantarão!”

Nossos sentidos apreendem novos sentidos!

A gratidão nasce da capacidade de se conectar e perceber-se. Com ela o reconforto da fé e da esperança, e a sensível percepção da grandiosa e ininterrupta Divina Presença. 

Uósnei Moncorvo, Comunidade Espírita Casa de Oração Luz

 

 

 

"Concentra-te, por alguns minutos, em companhia de Cristo, no barco de teus pensamentos mais puros, sobre o mar das preocupações cotidianas...

Ele te lavará a mente eivada de aflições.

Balsamizará tuas úlceras.

Dar-te-á salutares alvitres Basta que te cales e sua voz falará no sublime silêncio

Oferece-lhe um coração valoroso na fé e na realização, e seus braços divinos farão o resto"

(Emmanuel/Chico Xavier. Caminho, Verdade e Vida).

 


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