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SIMPLESMENTE APAIXONANTE: O CONTINUADOR DA OBRA

April 12, 2020 0:00 , by Redação CDC - 1One comment | No one following this article yet.
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Desencarne de leon denis card

 

SIMPLESMENTE APAIXONANTE: O CONTINUADOR DA OBRA

 

O que você pensaria de uma personalidade, que fosse uma mistura de caixeiro-viajante, representante comercial, que desembarcasse em diferentes regiões do planeta - Veneza, Roma, Argélia, percorresse amplamente a Europa, a África, entre outras, tratasse com árabes, muçulmanos, indígenas -, tendo acesso a novas e diversas culturas e costumes, e ao mesmo tempo se aventurasse como mochileiro por entre regiões montanhosas, preferindo a dormida a céu aberto no lugar do conforto de hotéis ou hospedarias? Que desejasse o contato com a natureza, carregando suas provisões e se alimentando ao ar livre, preferencialmente evitando locais onde formalmente pudesse realizar suas refeições?

Que pensaria de alguém que se dispusesse a conhecer pessoas e aprender coisas novas, a sentar ao redor de uma fogueira, no frio da neve, e comer um cuscuz apimentado, no alto de uma montanha, ao mesmo tempo chocado com o trato do anfitrião indígena com os talheres, lavados às cusparadas, e polidos com o auxílio da barra de camisa suja?

O que lhe viria a cabeça sobre alguém que visitasse museus, admirasse obras de arte feitas pelas mãos humanas, num Louvre, ou olhasse atentamente para as do Coliseu, e tivesse o mesmo olhar admirado para outras tantas obras artísticas exibidas ao ar livre, vivas, lhes atribuindo superior valor, sob o altar da natureza?

Como consideraria alguém, que assumisse a competência de um tenente militar (cargo ocupado após trinta dias de prestação de serviço), que ocupasse com seriedade a posição de membro de uma loja maçônica (com menos de trinta anos, no século dezenove), e que mantivesse a simplicidade de um operário, possuindo a expertise de um orador cogitado para concorrer ao cargo político de deputado? 

Acrescente a estas impressões, características tais como: permanecer solteiro para cuidar dos pais idosos (mesmo após cogitar um casamento), possuir sensibilidade mediúnica para ver com nitidez, situações e personagens do mundo espiritual, bem como para escrever sob a inspiração dos espíritos; ser apaixonado pela leitura e aquisição do conhecimento a ponto de exercer seu aprendizado em grande parte como autodidata; possuir ímpeto explorador que lhe afinasse com a geografia, e a cartografia, realizando a pé boa parte de suas viagens, explorando possibilidades através dos mapas da época.

Some a tudo isso, uma infância pobre, vivida com poucos recursos de sobrevivência, trabalhando desde muito cedo, com mudanças frequentes, debaixo da vigilância de uma mãe que submetia constantemente a cuidadosa censura tudo que esse indivíduo lia e realizava e também a  frequentes interrupções do ensino regular. Pronto! O caldo formador da personalidade de Léon Denis se esboçara levemente aos seus olhos!

Isso porque, além desta breve síntese de muitas outras informações, entre seus atributos psíquicos, Denis acessava frequente e tranquilamente os conteúdos de suas vidas anteriores, quando fora entre outras coisas caminhante entre os vikings, curioso observador dos rudimentos do budismo, guerreiro por diversas vezes, navegante de embarcações, entre o que se sabe.

Sua relação com o conhecimento possui características ainda mais amplas. Idealista, Léon Denis é defensor do acesso ao conhecimento e a educação pela população operária, e pelos pobres, com o entendimento de seu potencial transformador do ser. 

Do ponto de vista moral, é lúcido, honesto, comprometido, dotado de coerência entre ações e crenças. Todas estas características  o predispõem a profundidade, o que facilitou em seu primeiro encontro com a doutrina espírita, ocorrido naquela existência aos dezoito anos (1864), quando olhando para uma vitrine deparou-se com ‘O Livro dos Espíritos’ em exposição.

Mergulha no conteúdo doutrinário, e sua mãe, ao fiscalizar suas leituras também!

Trava contato pessoal com Kardec em três ocasiões, sendo a primeira em uma conferência ao ar livre (1867, conferência em Tours), junto a outras trezentas pessoas – como não poderia ser diferente para um amante da natureza. 

Naquela ocasião ouve a respeito da influência dos espíritos menos esclarecidos, através dos processos obsessivos.

Vivencia em todos os períodos de sua vida o contato com o mundo invisível, nos mais diferentes ambientes por onde transitou, recebendo até mesmo orientações de Lamennais, um dos membros da falange espiritual que participou da codificação, em uma reunião mediúnica, no acampamento militar onde serviu parte de sua juventude.

É orientado pelos espíritos a se preparar para ser conferencista e escritor, e convidado a treinar diante deles seus discursos, onde eram aperfeiçoadas suas técnicas oratórias, revistas e analisadas sua argumentação oral e escrita, tudo sob a mais serena humildade e entrega.

Léon Denis é assessorado em sua primeira década de contato com o mundo espiritual por Sorella, a quem mais tarde descobre ter pertencido a identidade de Joana D’Arc, e a ela se reúne posteriormente seu guia e protetor, Jerônimo de Praga, discípulo dos reformistas John Huss e Wycliff. Esses amáveis e dedicados protetores espirituais vão guiá-lo e cercar-lhe de cuidados, diante do propósito que definira para sua existência, de promover a continuidade da divulgação e consolidar o estabelecimento da doutrina dos Espíritos.

Mesmo que todas essas peculiaridades tornem a personalidade de Léon Denis atraente e impressionante, promovam admiração e desejo de saber ainda mais sobre ele, é o seu pensamento, definitivamente, a maior contribuição para o crescimento de quem trava com ele contato. 

Tomemos alguns recortes de três das suas obras: ‘O Problema do Ser, do Destino e da Dor’, ‘Além da Morte’ e  ‘Socialismo e Espiritismo’.

De uma forma geral, em O Problema do Ser, Denis trata da estrutura humana, a sua constituição, passando pelas evidências de sua preexistência e continuidade, e mergulha na mecânica profunda da individualidade, evidenciando que temos ferramentas para conduzir nossa vida, as ‘Potências da Alma’.

No capítulo que trata da ‘Vontade’, encontramos o trecho que se segue:

"Todos os grandes ensinamentos concordam neste ponto: É na vida intima, no desabrochar de nossas potências, de nossas faculdades, de nossas virtudes, que está o manancial das felicidades futuras. Olhemos atentamente para o fundo de nós mesmos, fechemos nosso entendimento às coisas externas e, depois de havermos habituado nossos sentidos psíquicos a escuridade e ao silêncio, veremos surgir luzes inesperadas, ouviremos vozes fortificantes e consoladoras."

A existência da dor é parte de um processo educacional, cuja função é evocar em nós as potencialidades que permanecem ocultas em gérmen, mas estas só serão percebidas e utilizadas como ferramentas se voltarmos a nossa atenção em sua direção, para o nosso interior, com seriedade e compromisso.

Ele continua:

‘Há em toda alma humana dois centros ou, melhor, duas esferas de ação e expressão. Uma delas, circunscrita à outra, manifesta a personalidade, o eu, com suas paixões, suas fraquezas, sua mobilidade, sua insuficiência. Enquanto ela for a reguladora de nosso proceder, temos a vida inferior semeada de provações e males. A outra, interna, profunda, imutável, é, ao mesmo tempo, a sede da consciência, a fonte da vida espiritual, o templo de Deus em nós.’

Ao voltar a nossa atenção em profundidade conectamo-nos com o verdadeiro EU, esquivando-nos das influências da matéria, exercidas por um eu superficial, egóico, assim permitindo que a Sede da Consciência, o Ser Imortal exerça predomínio nas nossa decisões.

Seguem-se nos capítulos posteriores detalhadas considerações sobre a Consciência, o Pensamento, O Livre-arbítrio entre outras potências.

Em ‘Além da Morte” nossa compreensão da linha percorrida pela consciência humana em direção a Inteligência Suprema, a fonte de manutenção e sustentação da vida, é traçada, caminhando para trás em sua compreensão histórica, e para frente, considerando o futuro humano, as suas possibilidades. 

Denis também argumenta sobre a capacidade de superação da criatura humana, partindo de seus esforços pessoais, e do enfrentamento das provas da vida. Segue um trecho do capítulo treze, ‘As Provas e a Morte’:

"O Universo é uma arena em que a alma luta pelo seu engrandecimento, e este só é obtido por seus trabalhos, sacrifícios e sofrimentos. A dor, física ou moral, é um meio poderoso de desenvolvimento e de progresso. As provas auxiliam-nos a conhecer, a dominar as nossas paixões e a amarmos realmente os outros. No curso que fazemos, o que devemos procurar adquirir é a ciência e o amor alternadamente. Quanto mais soubermos, mais amaremos e mais nos elevaremos."

Apenas o autoconhecimento e a apreensão da Lei Divina em seus diferentes aspectos habilitaria o ser nesta jornada pessoal:

"A fim de podermos combater e vencer o sofrimento, cumpre estudarmos as causas que o produzem, e, com o conhecimento dos seus efeitos e a submissão às suas leis, despertar em nós uma simpatia profunda para com aqueles que o suportam."

Mesmo com todo trabalho individual necessário, não poderíamos nos esquivar dos aspectos coletivos, das nossas conexões com os outros.

Em ‘Socialismo e Espiritismo’ Léon Denis expande a nossa compreensão deste processo, correspondente a evolução coletiva, as implicações sociais de nossas posturas, e das conexões profundas entre o eu e o outro. 

Não promove posicionamentos partidários a este ou aquele regime, ou sistema ideológico, analisa criticamente as proposições Marxistas, seu impacto na organização social, critica o modo de operação do sistema então vigente, e identifica aspectos relevantes nesta forma de olhar em acordo com a revolução comportamental proposta por Jesus. 

Léon Denis é tido como o continuador de Kardec na promoção dos ideais espiritistas. Chegou a ser chamado de ‘Apóstolo do Espiritismo’. Estas são linhas muito sucintas, pinceladas superficiais sobre o gigantismo do apóstolo e sobre recortes de suas obras. Nosso objetivo é lhe apresentar o convite, para conhecer ambos. Enamorar-se e aprender com ele. 

Uósnei Moncorvo

(Sugerimos, para maiores informações biográficas, as obras: Léon Denis na Intimidade de Claire Baumard, e Léon Denis, o Apostolo do Espiritismo sua Vida, sua Obra, por Gaston Luce.)


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