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Teresa de Ávila, médium e escritora, uma mulher à frente de seu tempo

March 24, 2021 18:28 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Teresa de Ávila, médium e escritora, uma mulher à frente de seu tempo

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Finalizando o mês de março, dedicado à mulher, relembramos mais uma mulher, nascida a 28 de março, que escreveu com traços fortes a sua passagem pela História.  

 Teresa de Ávila: uma mulher à frente do seu tempo.

                                                                                                                           (Viviane de Pádua)

Da noite para o dia, recebemos a notícia que estávamos diante de uma pandemia mundial e que a partir daquele momento, não deveríamos sair de casa. Cada um lidou com essa informação de maneira diferente e a proposta de ressignificar a nossa rotina é constante.

Daí nasce o ensaio sobre essa figura feminina conhecida na história da Humanidade: Teresa de Ávila, doutora da Igreja Católica.

Mas, por que falar, especificamente, sobre essa personalidade? O que motivou essa escolha?

Justamente, o cenário pandêmico que trouxe uma angústia muito grande e num momento de prece e conexão, os Espíritos me suscitaram essa linda oração escrita por Teresa de Ávila: 

“Nada te perturbe, Nada te espante,

Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento, Ao céu sobe,
Por nada te angusties, Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, Com grande entrega,
E, venha o que vier, Nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã:
Nada tem de estável, Tudo passa.

Deseje às coisas celestes, Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.{...}
SÓ DEUS BASTA!”


E a partir desse momento, com a curiosidade aguçada, mergulhei no universo dessa mulher determinada e de uma força interior indescritível.

Para Carlos Juliano Torres Pastorino, no livro ‘Sabedoria do Evangelho’, volume 2, Teresa de Ávila teria sido, em outra encarnação, a marcante Maria de Magdala. Sobre essa possibilidade, de simetria histórica, Pastorino apresenta a seguinte afirmação:

“Jesus que nela (Maria de Magdala) viu um espírito de escol, capaz de penetrar os ‘mistérios do Reino, aproveita a circunstância para esclarecê-la; e de tal modo a impressiona, que sua evolução daí por diante se fez quase vertical, pois quinze séculos após, ela se chamaria Teresa de Ávila, a única mulher que recebeu, da igreja católica o título de ‘doutora seráfica’, uma das maiores místicas que honraram e dignificaram a raça humana no ocidente.”

Teresa de Cepeda e Ahumada, nascida em 28 de março de 1515, na cidade de Ávila, na Espanha, primeira Doutora da Igreja Católica. Aos 20 anos, fugiu para o convento Carmelita da Encarnação, mas considerava que aquele espaço não era propício às suas orações e desenvolvimento da sua vida espiritual. Diante dessa perspectiva, após 25 anos no Carmelo pede permissão para fundar novas casas. Aos 40 anos, uma mulher, em pleno século XVI inicia a grande reforma na Ordem das Carmelitas Descalças com a fundação de 32 mosteiros, sendo 17 femininos e 15 masculinos.

Importante pensar que no período vivido por Teresa, a Espanha vivia o auge da Inquisição, onde mulheres não podiam desenvolver atividades outras que não as domésticas. Ela coloca-se nessa missão de protagonista da sua história e da vida de outras tantas mulheres que eram acolhidas nas novas fundações.

Além de líder religiosa, a atividade de escritora tomava-lhe bastante tempo, deixando várias obras: ‘Livro da Vida’, ‘Caminho da Perfeição’, ‘Moradas e Fundações’, entre outros. 

Por conta da sua atividade intelectual, foi interrogada por bispos que consideravam tal produção “suspeita”. O fato dela ser uma religiosa e a sua amizade com outros bispos, como João da Cruz, foi fundamental para que ela levasse a frente toda a sua produção.

Foi considerada pelo Papa Paulo VI uma mulher excepcional, que irradiou ao mundo uma vitalidade humana e um dinamismo espiritual incríveis e, como reformadora e fundadora de uma ordem religiosa, “insigne e histórica”. Outros adjetivos atribuídos a ela: escritora genialíssima e fecunda, mestra de vida espiritual, incomparável na contemplação, infatigável na ação...

É facilmente identificada na vida e obra dessa mulher, a sua ação como médium em diferentes vivências místicas. Durante a sua experiência reencarnatória, Teresa vivenciou a audiência, vidência, psicografia (inspiração), profecias, premunições, desdobramentos, êxtases, estados alterados de consciência, entre outros fenômenos mediúnicos.

Obviamente, para uma freira, no século XVI, aquelas situações causavam-lhe estranhamento e adoecimento em muitos momentos da vida. Ela julgava-se, em algumas narrativas, como “louca” e demonstrava medo das suas capacidades mentais. O seu amigo e companheiro, João da Cruz, por muitas vezes atuou como confidente e responsável por tranquilizá-la, acreditando que eram dons concedidos por Deus e pura ação do Espírito Santo.

Oito anos antes do seu desencarne, foi-lhe revelada a hora de sua morte; até hoje, seu corpo exala um perfume de rosas e conserva-se intacto; seu coração conservado em um relicário, em Alba, na igreja das Carmelitas, tem uma profunda ferida, de quando “foi marcado por um anjo”, dez anos antes da sua morte; esses são apenas alguns exemplos da mística que envolve a vida de Teresa de Ávila.

Ela foi uma dessas mulheres, assim como Maria de Magdala, que deixou a sua marca, vivendo o seu contexto histórico e social, transgredindo as leis e regras das suas respectivas épocas.

 

 “Entreguei-me e dei-me toda, e de tal sorte fiz a troca: que meu Amado (Deus) é para mim, e eu sou para o meu Amado...”

Teresa de Ávila


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