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Tragédias coletivas. Sofrimento coletivo. Um olhar da Doutrina Espírita

February 27, 2019 16:44 , by Redação CDC - 1One comment | No one following this article yet.
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Tragédias coletivas. Sofrimento coletivo. Um olhar da Doutrina Espírita.

 

Por vezes, um sentimento de revolta e desesperança acomete-nos ao assistirmos os desastres seguidos de mortes coletivas. Entretanto, cabe-nos refletir sobre o que a Doutrina Espírita nos traz a respeito do assunto. E, a partir daí, emitir vibrações de amor e compreensão  em torno do fato. Além disso, contribuir de todas as formas para apaziguar o sofrimento dos envolvidos é dever do verdadeiro cristão, mesmo que seja através da prece, uma vez que essa é também uma oportunidade de aprendermos o exercício da fraternidade. 
Compreenda melhor a Lei de Destruição, descrita por Allan Kardec, lendo o reflexivo e esclarecedor texto que se segue. 
 

Sofrimento em Grupo – ou Tragédias Coletivas

Uósnei Moncorvo

Em janeiro de 1862, desejando divulgar de forma simples e objetiva, com ampla abrangência a pessoas de diferentes níveis de compreensão, sobre a doutrina espírita, explica Kardec na Revista Espírita e no prefácio da publicação anunciada - O Espiritismo em sua Expressão Mais Simples - que o propósito da obra era conduzir a compreensão do sentido moral e filosófico da doutrina espírita. Isto significa dizer, que é de máxima importância entender, as implicações vivenciais do espiritismo.

Recentemente fomos confrontados com tragédias coletivas de diferentes proporções – o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho e o incêndio no Centro de Treinamento do Ninho do Urubu. Sem avivar detalhes que só reverberariam chagas ainda abertas, precisamos considerar que em situações que apresentam tal colorido emocional, intenso, somos imediatamente arrastados a identificação com o sofrimento das vítimas e de suas famílias. Surgem-nos diversas inquietações e questionamentos, sendo talvez o mais frequente:  por que? Ou ainda: qual ou quais os motivos? E os responsáveis? Onde está Deus no meio de tudo isso? Imediata e mobilizadora sensação de injustiça, promove em nosso íntimo profunda tristeza e consequente indignação.

A doutrina espírita é iminentemente reencarnacionista, o que implica, que as causas das ocorrências nesta vida, tem suas raízes em vidas anteriores. Diversas referências na codificação e obras correlatas, podem ser citadas para construir a lógica pertinente a desencarnes coletivos: o Livro dos Espíritos, livro III, cap. VI  Lei de Destruição; o Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, Bem Aventurados os Aflitos, itens 3 a 9, diversos tópicos, entre eles causas atuais e anteriores das aflições; Ação e Reação, pelo espírito André Luiz, cap. 18; Chico Xavier Pede Licença, cap. 19, mensagem do espírito Emmanuel.

Mas vamos proceder uma breve análise lógica, tomando alguns pontos em consideração:

1 – Na obra inicialmente citada, no esboço sobre o espiritismo, o tópico inicial é a crença na existência de Deus e em seus atributos, dentre os quais, amor e justiça. É impossível a alguém que crê em Deus, negar-lhe o qualificativo de justo. Portanto, suas leis possuem uma lógica causal de justiça, e todos os acontecimentos a elas submetidos assim o são - tem razões, ou motivos.

2 – Crendo na existência de vidas anteriores, e por este motivo, em algo que preexiste e sobrevive ao corpo, entende-se que a realidade no corpo é fração da vida maior, da vida verdadeira, e da história do ser que no corpo vive. Este ser desliza em uma teia, de coordenadas definidas por suas realizações presentes, demarcando a jornada futura. Ou seja, voltando-se para trás, o hoje seria consequência de uma vida anterior. Estamos sempre vivendo a dinâmica das escolhas anteriores e realizando novas escolhas que construirão a dinâmica do futuro.

3 – Disso decorre que: sendo justo, Deus criou leis, que promovem um circuito de causa e efeitos, proporcionou ao ser humano a capacidade de realizar escolhas através do livre arbítrio e colher as consequências destas escolhas. Essas escolhas, permitem ao ser humano colocar-se, inclusive, em condições que lhe ocasione aparentes prejuízos (aparentes, porque passageiros, uma vez que o espírito continua a existir após a morte do corpo), para aprendizado e ocorrências de retificação de causas anteriores.

Emmanuel, através de Chico Xavier, escreve no livro O Consolador, respondendo sobre provações coletivas, questão 250, pg. 139, FEB: “Na provação coletiva verifica-se a convocação dos espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituosos e obscuro. O mecanismo da justiça, na lei das compensações, funciona então espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas na dívida do pretérito para os resgates em comum, razão porque, muitas vezes, intitulais “doloroso acaso” as circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte no corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro de seus compromissos individuais.”

Note-se que antes do acontecimento, há uma convocação, a que os espíritos envolvidos respondem espontaneamente, com um propósito maior.

Não podemos deixar de destacar o imenso número de heróis anônimos que se prestam ao espírito do amor e da caridade, socorrendo, e valendo-se da oportunidade para servir e acolher. Estes disponibilizam seu tempo e força de trabalho, ainda outros, doam recursos materiais e, todos eles, pelo exemplo, contribuem para a transformação do mundo ao seu redor, fazendo valer o ‘amai ao próximo como a ti mesmo.’

Naturalmente, estas explicações, que podem atender a racionalidade cognitiva, nem sempre darão conta da emotividade, que perpassa o luto. Entretanto estas, conjugadas as nossas reações, nos despertam através da identificação, para o fenômeno da empatia. Também para o abandono da omissão, implicando-nos na cobrança social das responsabilidades. E promovendo profundas reflexões a respeito do mundo material como uma pálida imitação de uma realidade maior e perene, eterna, a vida espiritual.

 

737 - Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores?

     — Para fazê-la avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? E necessário ver o fim para apreciaras resultados. Só julgais essas coisas do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais de flagelos por causa dos prejuízos que vos causam; mas esses transtornos são freqüentemente necessários para fazer com que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos(1). (Ver item 744.)

     738 - Deus não poderia empregar, para melhorar a Humanidade, outros meios que não os flagelos destruidores?

     — Sim, e diariamente os emprega, pois deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. E o homem que não os aproveita; então, é necessário castigá-lo em seu orgulho e fazê-lo sentir a própria fraqueza.

     738 – a) Nesses flagelos, porém, o homem de bem sucumbe como os perversos; isso é justo?

     — Durante a vida, o homem relaciona tudo a seu corpo, mas, após a  morte, pensa de outra maneira. Como já dissemos, a vida do corpo é um quase nada; um século de vosso mundo é um relâmpago na Eternidade. Os sofrimentos que duram alguns dos vossos meses ou dias, nada são. Apenas um ensinamento que vos servirá no futuro. Os Espíritos que preexistem e sobrevivem a tudo, eis o mundo real. (Ver item 85.) São eles os filhos de Deus e o objeto de sua solicitude. Os corpos não são mais que disfarces sob os quais aparecem no mundo. Nas grandes calamidades que dizimam os homens, eles são como um exército que, durante a guerra, vê os seus uniformes estragados, rotos ou perdidos. O general tem mais cuidado com os soldados do que com as vestes.

     738 – b) Mas as vítimas desses flagelos, apesar disso, não são vítimas?

     — Se considerássemos a vida no que ela é, e quanto é insignificante emrelação ao infinito, menos importância lhe daríamos. Essas vítimas terão noutra existência uma larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem lamentar. (...)

     739 - Esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam?

    — Sim, eles modificam algumas vezes o estado de uma região; mas o  bem que deles resulta só é geralmente sentido pelas gerações futuras.

    740 - Os flagelos não seriam igualmente provas morais para o homem, pondo-o às voltas com necessidades mais duras?

    — Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar a sua paciência e a sua resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo que lhe permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo, se ele não for dominado pelo egoísmo.

(O Livro dos Espíritos , Allan Kardec)

 


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