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Uma Doutrina transformadora chegava ao mundo há 163 anos

May 18, 2020 0:00 , by Redação CDC - 1One comment | No one following this article yet.
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Site aniversario de lancamento de o livros dos espiritos

 

Uma Doutrina transformadora chegava ao mundo há 163 anos!

 

ALLAN KARDEC E O LIVRO DOS ESPÍRITOS

163 anos (18.04.1857 – 18.04.2020)

 

Adilton Pugliese



Em 1854 vamos encontrar o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869) com 50 anos, e autor de 22 obras didáticas. Paris vivia a confusão das mesas girantes, fenômeno que havia invadido a Europa, após os extraordinários acontecimentos no vilarejo de Hydesville, na cidade de Rochester, nos Estados Unidos da América, em a noite de 31 de março de 1848, envolvendo a família de John Fox, protestantes da igreja metodista, sobretudo as meninas Fox, Kate de 11 anos e Margareth de 14 anos.

Como relata nas suas anotações, no seu diário íntimo, que compõe a segunda parte do livro Obras Póstumas, foi naquele ano de 1854 que Rivail ouviu falar, pela primeira vez, das mesas girantes. Nessa época ele já tinha conhecimentos acerca do Magnetismo, estando consciente que por meio da ação magnética pode ocorrer a produção de fenômenos inusitados. É quando se encontra com o magnetizador Fortier, que lhe diz:

— Já sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar, mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade. 

— É, com efeito, muito singular (responde Rivail), mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam.

Tempo depois, encontra novamente Fortier, que lhe diz: mais extraordinário do que fazer uma mesa girar e andar é fazê-la falar. Perguntam e ela responde.

— Isto agora é outra questão. Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula.

No ano seguinte, em princípios de 1855, encontra o Sr. Carlotti, que lhe fala das manifestações dos Espíritos e declara: um dia serás um dos nossos.  Em maio de 1855, o Sr. Roger convida-o para assistir às experiências. E numa terça feira, às 20 horas de um dia do mês de maio de 1855, na casa da médium Sra. Plainemaison, na Rua Batelière, 18, Denizard foi testemunha das mesas que giravam, saltavam e corriam, sem condições de poder alimentar dúvida.  E ele registra em suas anotações:

— Minhas ideias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.

— Percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurara em toda a minha vida. Era, em suma, toda uma revolução nas ideias e nas crenças.

Inicialmente, vê no contato com os Espíritos a possibilidade de instruir-se acerca do mundo espiritual. Depois viu que “aquilo formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina”, e teve então a ideia de publicá-lo para instrução de todas as pessoas.

Ia começar o trabalho da Codificação espírita.

Através de mais de 10 médiuns que prestaram sua assistência ao trabalho, obtém as explicações sobre a origem e a finalidade da vida e do destino do homem. Recebe mais de 50 cadernos com várias anotações e organiza-os, comenta-os, e mais tarde ele declararia:

“— Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes retocadas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos”. A sua capacidade de ordenar todas as mensagens e de classificá-las foi extraordinária!

As dificuldades (um exemplo):

Em sessão de 10 de junho de 1856, em casa do Sr. Roustan e com a Sra. Japhet, que era médium, recebeu Rivail advertência dos Espíritos que coordenavam o advento da Terceira Revelação das Leis de Deus. Ele havia proposto, para acelerar o término da obra, usar a colaboração de determinado médium. A Espiritualidade não concorda, destacando que o médium não tinha a necessária idoneidade moral para servir de instrumento em trabalho de tanta envergadura. Não fora, portanto, a prudência de Kardec, sempre sensato, sempre humilde em todos os atos de sua vida, talvez a doutrina ficasse comprometida, logo de início. Relata Kardec que depois aquele médium caía em dolorosa decadência, em razão dos abusos, por haver mercadejado a mediunidade.

Livro dos espiritos

No fim do ano de 1856, o professor Rivail entra em contato com o livreiro Dentu - Edouard-Henri-Justin-Dentu - na Rue Montpensier, no Palais Royal, em Paris, apresentando-lhe os manuscritos de O Livro dos Espíritos, em cuja capa grafara o pseudônimo que adotara para caracterizar o autor: Allan Kardec, seu antigo nome quando da reencarnação na personalidade de um sacerdote druida. O livreiro recebe-o com má vontade. Ele estava concluindo o inventário de várias obras encalhadas, escritas sobre o Spiritualism e diz ao nascente codificador do Espiritismo:

— Esse assunto, meu caro senhor, não nos interessa mais. É batidíssimo e está fora de voga.  A França não se importa mais com o “Spiritualism”. Nosso depósito está repleto de “mesas que rodam”, “mesas que dançam”, “mesas que falam”, “mesas que adivinham”, “mesas” enfim que ninguém mais lê. Essa brincadeira já  passou de moda .  

O professor Rivail, porém, mantém-se sereno e declara: — Desejava apenas o seu orçamento tipográfico, pois vou editar a obra por minha conta e risco. Monsieur Dentu reluta, alega outros motivos para a recusa, quando, de repente, chega à loja madame Mélanie Dentu, a mãe do livreiro e também proprietária.  Ela cumprimenta o prof. Rivail e pergunta-lhe:

— Trouxe, afinal, seus cadernos professeur?  É uma honra para nós editar o seu livro. Percebendo que já havia entendimentos anteriores sobre a impressão da obra, o livreiro muda de atitude e acrescenta, constrangido:

— Se não tem muita pressa, deixe conosco os seus cadernos. Quantos exemplares pretende?

Poucos dias depois, o livreiro encontraria sobre a mesa de trabalho um memorando assinado pela Sra. Dentu, remetendo os cadernos que comporiam a primeira obra da Codificação espírita à tipografia, para impressão. No texto do memorando ela havia destacado: urgente e preferencial. Ainda resistindo quanto à validade da obra, o jovem livreiro Dentu ouve sua mãe dizer-lhe que a obra era impressionante e sugerir-lhe:

— Examine-lhe uma ou outra página, ao acaso, e verá que não estou exagerando. 

Atendendo-lhe o pedido, Dentu lê os originais e, entusiasmado, envia a obra à tipografia, destacando o urgente e preferencial, passando a ser ele o mais apressado a lançar o livro.

Cerca de quatro meses depois, exatamente em 18 de abril de 1857, pela manhã, há exatos 163 anos, retornava da tipografia 1.200 volumes da primeira edição de O Livro dos Espíritos, de capa cor cinza, com 501 perguntas.

Naquele momento, Allan Kardec lançava a maior obra de pedagogia voltada para a educação moral dos Espíritos que formam a Humanidade terrestre. Mais tarde, em março de 1860, é que seria lançada a segunda edição, inteiramente refundida e consideravelmente aumentada, composta de quatro partes com 1019 perguntas, com o subtítulo filosofia espiritualista.

 

FALANDO A KARDEC 

Cruz e Souza

 

Apóstolo da luz ditosa e bela,

Quando desceste da divina altura,

Surgia a terra desolada e escura

Por agressiva e torva cidadela.

 

Qual nau sublime que se desmantela,

Naufragava na sombra a fé mais pura

E envolvia-se o templo da cultura

No turbilhão de indômita procela...

 

Mas trouxeste equilíbrio ao caos nefando,

E O Livro dos Espíritos, brilhando,

Rompe a noite mental, espessa e fria!

 

Ante o sol da verdade a que te elevas,

Revelaste Jesus ao mundo em trevas

E acendeste o clarão do novo dia

 

(XAVIER, Francisco Cândido [Pelo Espírito Cruz e Souza], soneto recebido em 1961. Revista Reformador. Abril de 1977, p.11)

 

 

[1] Kardec, Allan. Obras Póstumas. 26ª.ed. FEB, p. 266.

[2] Idem,idem, p.265.

[3] Idem, Idem, p. 267.

[4] Idem, Idem, p. 268.

[5] Idem, Idem, p. 270 e 271.

[6] Idem, Idem, p. 270 e 271.

[7] Amorim, Deolindo. Relembrando Deolindo II. 1a. ed.CELD, p.11

[8] Abreu, Canuto. O Livro dos Espíritos e sua tradição histórica e lendária. 1a.ed.LFU, p.44/5/6

 


1One comment

  • 6da0f63f155a53ccbd4873d6ac165a7f?only path=false&size=50&d=404Leonan(unauthenticated user)
    April 18, 2020 15:52

    Parabéns espíritas!

    Bela forma de parabenizar os ditosos trabalhadores da última hora, relembrando o trajeto do fiel trabalhador do Cristo, nosso querido codificador Allan Kardec.


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