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Útero de oportunidades

May 12, 2019 11:05 , by Redação CDC - 0no comments yet | No one following this article yet.
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Útero de oportunidades

Uósnei Moncorvo. Comunidade Espírita Casa de Oração Luz – em homenagem a D. Neuza, no mundo espiritual desde agosto de 2018.

Reconhecer-se criação Divina, envolve muito mais que assumir o papel de Deus como nosso Autor. Envolve apropriar-se da identidade de filhos de Deus. Sentir as fibras que nos constituem e nos ligam a humanidade inteira. Ser capazes de exercer o atributo mais sublime Dele: a capacidade de amar. Essa é a capacidade que possibilita pôr em movimento as forças. Produzir os elementos. Combinar as substâncias. Realizar as coisas e gerar vida.

Amar é chegar ao topo das manifestações do sentimento. Aproximar-se da perfeição relativa como possibilidade humana.

Já nos afirmava Lázaro, em a Lei do Amor, no Evangelho Segundo o Espiritismo, item 8, capítulo XI, Amar ao Próximo como a si Mesmo: O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento.

Esse gênero de amor, é uma proposta educativa, composta por diversos degraus e inúmeros níveis. Encarnados, assumimos papéis, abraçamos responsabilidades, desenhamos rumos exercendo afazeres, ocupando funções. Interagimos, e no interminável número de eventos representados pelas relações humanas, compreendemos – ou tentamos, o ‘eu e tu’ proposto pelo filósofo e pedagogo Martin Buber, em livro do mesmo título.

Somos levados pela dinâmica das relações do cotidiano a adaptação (diríamos: a dor, já que não aceitamos vir pelo amor), para bem viver. Isso significa desculpar-se, perdoar, abdicar, esquecer. Somos até mesmo levados a abrir mão de nós mesmos, no sentido de colocar nossos interesses de lado em certas ocasiões.

Mas há um seleto modo de operação, privilegiado, ao qual todos os espíritos, em algum momento de sua trajetória são conduzidos a ter. Um modo de operação que dita a consciência abrir-se em atitude de receptividade a outra consciência. Ao corpo, a condição de se modificar em sua estrutura, alterando sua densidade, sua textura, sua conformidade, seu próprio cheiro. Compartilhar sua identidade genética!

Um modo que implica olhar-se ao espelho e reconhecer uma outra pessoa.

Modo de operação que resulta em compartilhar aquilo do que se alimenta. Que lhe altera os ritmos, o respirar, o bater do coração, o dormir. Aliás falando em coração, um modo de operação que faz perceber dois corações dentro de si.

O modo de operação mulher mãe.

Diz-nos Kardec comentando a questão 202 em O Livro dos Espíritos: Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não tem sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.

Deveres especiais!

“Cada alma é uma irradiação da grande Alma Universal, uma centelha gerada do Eterno Foco. Nós porém, nos ignoramos a nós mesmos e essa ignorância é a causa de nossa fraqueza e de todos os nossos males.”(Leon Denis, O Grande enigma, cap. III, pag. 41)

Ignoramos a capacidade de amar. E precisamos de uma experiência onde o amor tenha nuances especificas. Na condição de um espírito em um corpo feminino, somos conduzidos (nós espíritos desprovidos de gênero biológico) a assimilar o conceito de renúncia.

Renunciar nesse âmbito é deixar de lado as considerações por nossas necessidades, como sendo as primeiras. Dar-se conta de que esquecemos de nós mesmos. Sorrir diante de um olhar que nos dissolve a intolerância, a impaciência ou o aborrecimento. O olhar de um ser que corporalmente saiu de dentro de nós.

Esse é o tipo de renúncia que se intranquiliza durante a noite e ergue um corpo cansado para ver se no outro cômodo “ele está respirando.”

O tipo de renúncia que planeja suas ações futuras em torno dos haveres a adquirir para proporcionar conforto aquele ser.

O tipo de renúncia que se inquieta com o silencio da casa, porque já sabe que os pezinhos se reúnem num caminhar, que pode levar a qualquer caminho, e a perigos imaginários ou reais.

O tipo de renúncia que nos primeiros anos escolares sente a mão abandonada no ar e se aflige, porque aquele ser saiu correndo sem olhar pra trás para começar a conquistar o mundo.

O tipo de renúncia que anos à frente, chama um homem ou uma mulher plenamente constituídos de meu menino ou minha menina, por um único motivo: a imagem mais cara ao seu coração está no colo cheio daquele projeto de gente!

Ainda mais cara e valiosa é a experiência de gestar em vida. Explico-me.

Não parir, mas tornar ao colo, ao regaço, de uma, duas, três, até dezenas de vidas, doando-se na experiência de maternar. Uso aqui a palavra no sentido de subsidiar através de cuidados, nos níveis: afetivo, vivencial, educativo, material, moral e espiritual – com tempo significativo e de qualidade um filho(a) que não saiu de dentro de você. A experiência de oferecer o nível de renúncia, dedicação, negação de si mesmo, que uma mulher ao gestar teria. Dedicar-se desenvolvendo seus mais nobres sentimentos voltados para ao bem estar de outrem, que dependa em sua quase totalidade de você.

É o que ocorre com as mães substitutas – tias, avós, irmãs, amas de leite. Com os ‘pães´, vamos assim carinhosamente chamar os homens que assumem esse vínculo diferenciado. Trata-se da experiência qualitativa de colocar-se em segundo plano em sacrifício do cuidado de alguém.

Mais que uma data comercial, um dia escolhido para homenagear as mães, lhe convidamos a reflexionar sobre a profundidade dessa experiência. Considera as palavras que gotejaram através das mãos de ‘nosso’ Chico, no livro Maria Dolores, em mensagem intitulada,

Coração de Mãe:

Dizem que quando a Terra foi criada
Fazendo-se possuída
Pelos filhos da vida
Que vinham de outros mundos,
Tudo na estrada humana,
Cortando a imensidão dos campos infecundos
Era a dominação do ódio que se aferra
À dissenção, à morte, ao desespero e à guerra ...

Foi quando um mensageiro
Do Céu às criaturas,
Regressou às Alturas
E disse humildemente ao Grande Deus:
- Senhor! O que posso fazer dos homens sem amor?
Do cérebro mais tardo ao gênio mais precoce,
Tudo na Terra é luta em conquistas da posse.
Compadece-te oh! Pai! ... Veneno, flecha e clava
Formam no mundo inteiro a Humanidade escrava,
Da descrença, do mal, da impiedade e do crime,
Sem qualquer esperança a que se arrime.
Já não se agüenta ouvir os urros do mais forte
E o choro dos vencidos,
Pisados, massacrados e caídos
Nos sarcasmos da morte.
Que fazer, Grande Deus, nas trevas dessa luta,
Em que a luz se nos nega e ninguém nos escuta?

Revelou-se que o Pai de Infinita Bondade,
Pensou, por muito tempo, e disse, comovido:
- Aceito, filho meu, quanto me falas,
Entendo-te o pedido! ...
Volta ao mundo a servir na tarefa em que avanças,
Os que morrem no mal renascerão crianças,
A Terra evoluirá, - ponderou o Senhor -
Ninguém alterará minha obra de amor.
A fim de desarmar a violência e a cobiça,
Instalarei no mundo a força da Justiça
E para que haja amor exterminando o orgulho,
Sem pancada, sem grito, sem barulho,
Enviarei alguém,
Que ame os filhos meus, com o meu amor ao bem,
Na exaltação da paz, sem desprezo a ninguém.
Alguém que saiba amar, a servir e a sofrer,
Cultivando o perdão como simples dever.

Dizem que foi assim
Que a Terra começou a fazer-se jardim.
Ouviu-se verbo novo, alteraram-se imagens,
E conforme o Senhor mandou e prometeu,
Entre as rudes mulheres dos selvagens,
O Coração de Mãe apareceu

(Maria Dolores).

 

 


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